A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que busca reformular a escala de trabalho 6×1 está em fase decisiva na Câmara dos Deputados. O relator da proposta, Leo Prates, do Republicanos da Bahia, planeja apresentar em breve a primeira versão do texto substitutivo. Ele se reunirá com o presidente da Câmara, Hugo Motta, também do Republicanos, da Paraíba, e com representantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para finalizar os detalhes antes de submeter a proposta à comissão especial.
Conforme o cronograma, a leitura da proposta na comissão especial está prevista para ocorrer em breve. Após essa etapa, será concedida uma vista coletiva até o final do mês, quando o texto deverá ser votado pelo colegiado e, em seguida, encaminhado para análise no plenário da Câmara. Entre os pontos já acordados na PEC estão a definição de uma jornada de trabalho de 40 horas semanais, com oito horas diárias e dois dias de descanso remunerado, sem redução salarial, além do fortalecimento das convenções coletivas.
No entanto, ainda há questões a serem resolvidas, como a possibilidade de um período de transição, a obrigatoriedade de que os dois dias de folga sejam consecutivos, e se haverá necessidade de projetos de lei específicos para cada segmento. O relator Leo Prates defende que as empresas que não cumprirem a nova norma constitucional não terão acesso às regras de transição ou benefícios que ainda serão definidos.
O governo federal, por sua vez, propõe que os dois dias de descanso sejam consecutivos, preferencialmente no sábado e domingo, enquanto Prates sugere maior flexibilidade para negociação entre empregados e empregadores. Outro aspecto a ser incluído no texto é o fortalecimento dos acordos coletivos, permitindo que alguns setores adotem escalas alternativas, como a de três dias de folga para quatro dias trabalhados, conhecida como 4×3.
No ano passado, um projeto similar foi apresentado pela deputada Daiana Santos, do PCdoB do Rio Grande do Sul, que permitia a adoção da escala 4×3, respeitando o limite máximo de 10 horas diárias e 40 horas semanais. Esse modelo é apoiado por Prates e está em discussão no contexto da PEC. Além disso, um projeto de lei enviado pelo governo visa estabelecer regras específicas para cada setor, complementando a emenda constitucional e facilitando a tramitação no plenário.
Essa estratégia de dividir a proposta em uma PEC e um projeto de lei pode reduzir a resistência ao texto durante sua tramitação. Leo Prates tem mantido reuniões com a base do governo e a oposição para alcançar um consenso, enquanto o presidente da Câmara, Hugo Motta, busca garantir o apoio necessário para a aprovação da medida.
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Leia também: Câmara acelera PEC que extingue escala 6×1 e acirra debate sobre jornada de trabalho
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João Batista Alves
16/05/2026
Os comentários desse João Augusto e Carlos Henrique Silva parecem que saíram de uma faculdade cheia de teoria, mas sem pé na realidade. Trabalhei a vida inteira, criei meus filhos com dignidade e nunca precisei de Gramsci pra saber que o trabalho dignifica o homem. Essa PEC é mais um aceno pra quem quer direitos sem deveres, enquanto a família tradicional e a igreja são deixadas de lado.
João Santos
16/05/2026
Parece que tão querendo é dar mais folga pra vagabundo. Trabalhei a vida inteira na escala 6×1 e nunca reclamei. O que o Brasil precisa é de ordem e trabalho duro, não de sindicalista inventando regra. Bandido é que tem que ser preso, não trabalhador.
João Augusto
16/05/2026
Caro João, sua experiência pessoal não é critério universal — Marx já demonstrava que o trabalho sob o capitalismo, longe de ser realização, é alienação. Defender a escala 6×1 como virtude é confundir resistência com resignação, exatamente o tipo de hegemonia que Gramsci denunciava.
Carlos Henrique Silva
16/05/2026
Caro João Santos, sua trajetória de 50 anos na escala 6×1 merece respeito como experiência vivida, mas transformá-la em parâmetro universal é o que Gramsci chamaria de hegemonia pelo consentimento — o trabalhador que interioriza a exploração como destino natural e defende o próprio algoz. O capitalismo sempre se beneficiou dessa moral do sacrifício: “trabalhei a vida inteira e não reclamei” é exatamente o discurso que a elite empresarial quer ouvir para manter privilégios. Seu sofrimento não valida o sistema, ele denuncia o quanto a ausência de tempo livre roubou sua capacidade de imaginar uma vida diferente. A PEC 6×1 não é sobre “dar folga pra vagabundo”, é sobre redistribuir o tempo socialmente produzido — Marx já apontava que a redução da jornada é condição elementar para o desenvolvimento humano, não prêmio de consolação.
Sua associação entre trabalhador que busca direitos e bandido é sintomática de um projeto político que fragmenta a classe trabalhadora: de um lado, o “trabalhador honesto” que aceita tudo calado; do outro, o sindicalista e o “vagabundo” que ousam exigir dignidade. Isso não é coincidência, é engenharia ideológica. Cada conquista trabalhista que você usufrui hoje — descanso semanal, férias, 8 horas diárias onde existem — foi chamada de “vagabundagem” pelos patrões da época. A escala 6×1, com apenas um dia de folga, não é virtude, é engrenagem de um modelo que esgota o trabalhador para extrair mais-valia máxima. Países que reduziram a jornada para 36-40 horas semanais têm produtividade maior e trabalhadores mais saudáveis — isso não é teoria, são dados da OIT.
O que o Brasil precisa, na verdade, é romper com esse ciclo de naturalização da exploração. Defender a escala 6×1 como “ordem e trabalho duro” é defender a manutenção de 48 horas semanais que corroem a saúde física e mental, que impedem o trabalhador de estudar, de participar da vida política, de cuidar dos filhos. Não se trata de vitimismo, trata-se de luta de classes. Bandido, de fato, precisa ser preso — mas o maior bandido é o sistema que transforma seu suor em lucro bilionário enquanto nega a você o direito ao descanso digno. Talvez o senhor nunca tenha reclamado porque a ideologia dominante convenceu que reclamar é fraqueza. Reclamar, organizar-se, lutar — isso é força.