Israel impõe desarmamento do Hezbollah como condição para paz com Líbano

Manifestantes exibem bandeiras do Hezbollah durante protesto no Líbano. (Foto: © Bilal Hussein / AP)

Israel e Líbano negociam uma declaração de intenções para encerrar décadas de hostilidades e normalizar relações diplomáticas. O documento estabelece bases para um acordo de paz que encerre formalmente o estado de guerra técnica vigente desde 1948.

O Hezbollah recebeu a proposta por meio do presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, mediador da representação xiita. O partido ainda não se pronunciou oficialmente sobre os termos, que incluem renovação automática da trégua por 45 dias.

Segundo o portal RFI, as negociações de alto nível devem ser retomadas em junho para selar uma paz duradoura. O plano prevê reconhecimento mútuo da soberania nacional e compromisso de evitar agressões nas fronteiras internacionais.

Delegações militares dos dois países se reunirão no Pentágono sob coordenação dos Estados Unidos. O encontro visa detalhar a transição de segurança, com o exército libanês assumindo controle total do território.

Israel exige que o Líbano impeça qualquer grupo armado não estatal, especialmente o Hezbollah, de manter capacidades bélicas. O governo libanês deve garantir que o partido seja excluído de funções de segurança em todo o território.

Essa condição é central para Israel, que busca eliminar ameaças de projéteis no norte de seu território. O retorno de deslocados ao sul libanês só ocorrerá sob controle exclusivo das forças oficiais libanesas.

A reconstrução da região fronteiriça depende da neutralização do arsenal do Hezbollah. Israel mantém a posição de que nenhum acordo será assinado sem garantias verificáveis de desarmamento.

A mediação dos EUA é vista como tentativa de consolidar influência ocidental na defesa do Líbano. A participação da delegação libanesa no Pentágono reforça a percepção de ingerência americana nos termos de segurança nacional libanesa.

Nabih Berri enfrenta o desafio de mediar um consenso interno em um país dividido sobre o papel da resistência armada. O resultado definirá se o Líbano recuperará estabilidade econômica ou permanecerá sob pressão externa de desarmamento.

Leia mais sobre o assunto na RFI.


Leia também: Escalada entre Israel e Hezbollah ameaça cessar-fogo no Líbano


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