Mobilização exige tombamento federal para salvar presídio do hipódromo da demolição em São Paulo

Corredor interno do Presídio do Hipódromo, sob ameaça de demolição e com pedidos de tombamento. (Foto: cartacapital.com.br)

O Presídio do Hipódromo, localizado no bairro do Brás em São Paulo, corre risco de demolição após solicitação de alvará para supressão de sua estrutura original. O edifício, símbolo da repressão durante a ditadura militar brasileira, é alvo de uma campanha que busca seu tombamento federal urgente.

A vereadora Amanda Paschoal (PSOL-SP) protocolou no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) um pedido de tombamento emergencial. Segundo a Carta Capital, a medida visa proteger o prédio de quatro pavimentos, que integra a rede internacional de Sítios de Consciência.

A arquiteta Bruna Santini Cortez, responsável técnica pelo projeto de demolição vinculado à Cury Construtora, não teve sua identidade confirmada como proprietária do empreendimento. O terreno, de 4,4 mil metros quadrados, foi adquirido por R$ 23 milhões pelo Fundo de Investimento Imobiliário do Estado de São Paulo, mas o atual proprietário registral permanece oculto.

Durante a ditadura, o presídio abrigou figuras como o ex-deputado José Genoino (PT-SP) e a ex-ministra Eleonora Menicucci. A cantora Rita Lee também foi detida ali em 1976, grávida, expondo a violência contra artistas e opositores.

A jornalista Amelinha Teles, ex-presa política, descreve condições desumanas no local, incluindo estupros e espancamentos sistemáticos por agentes policiais. Ela destaca a ligação do diretor da unidade com o Esquadrão da Morte, milícia de extermínio comandada pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury.

Além de seu valor histórico, o edifício é referência cultural internacional, tendo servido como cenário para o filme ‘O Beijo da Mulher-Aranha’ e produções como ‘Irmandade’ e ‘Torre de Babel’.

Adriano Diogo, ex-presidente da Comissão da Verdade de São Paulo, defende a musealização do local como parte da justiça de transição. Na Câmara Municipal, o vereador Toninho Vespoli (PSOL-SP) mantém projeto de lei para tombamento definitivo.

A sociedade civil aguarda resposta do IPHAN para evitar que a memória histórica seja apagada por interesses imobiliários.

Leia mais sobre o assunto na Carta Capital.


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