Gigantes da tecnologia replicam táticas da indústria do fumo para moldar leis de IA

Um martelo de juiz sobre uma mesa de madeira, simbolizando leis e supervisão. (Foto: phys.org)

Pesquisadores da Universidade de Edimburgo, Trinity College Dublin e Universidade de Amsterdã identificaram 27 padrões de captura corporativa usados por gigantes da tecnologia para influenciar regulações globais de inteligência artificial. O estudo, publicado recentemente, revela que essas empresas adotam estratégias semelhantes às das indústrias do fumo, petróleo e farmacêutica para distorcer o interesse público em favor de lucros privados.

Entre 2023 e 2025, foram documentados 249 casos de interferência direta em processos regulatórios democráticos, incluindo cúpulas no Reino Unido, Coreia do Sul e França. Uma das táticas mais recorrentes é a disseminação da narrativa de que qualquer regulação estatal sufoca a inovação, desqualificando proteções sociais como burocracia desnecessária.

Além disso, as empresas exploram brechas legais e adotam interpretações agressivas de normas sobre direitos autorais, privacidade e trabalho. Funcionários e acadêmicos que denunciam irregularidades ou riscos das ferramentas de IA também são alvos de represálias, segundo os autores do estudo.

Outro mecanismo identificado é a porta giratória, onde ex-funcionários públicos são contratados pelas mesmas corporações que deveriam fiscalizar, garantindo a manutenção de interesses privados dentro do Estado. O pesquisador Zeerak Talat, da Universidade de Edimburgo, afirmou que as evidências demonstram como o poder econômico corrói os processos democráticos.

A diretora do Laboratório de Responsabilidade de IA do Trinity College Dublin, Abeba Birhane, destacou que as gigantes do setor usam o argumento de ‘interesse nacional’ para justificar a desregulação, alegando que freios regulatórios prejudicam a competitividade dos países. Essa estratégia consolida o controle corporativo sobre o debate político e as decisões governamentais.

As conclusões do estudo recomendam a criação de regras vinculativas para evitar a sobreposição de interesses privados sobre decisões públicas em tecnologia. Os pesquisadores defendem mecanismos de transparência e prestação de contas para conter a captura corporativa no setor de inteligência artificial.

Leia mais sobre o assunto na phys.org.


Leia também: Gigantes americanas da IA tremem com chegada iminente do Deep Seek V4


📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho

Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.

Redação:
Related Post

Privacidade e cookies: Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com seu uso.