Um novo estudo divide o Brasil em 48 zonas de transferência de sementes, cada uma definida por suas condições climáticas e edáficas. Essas zonas podem ajudar projetos de restauração a identificar quais sementes nativas são mais adequadas para cada local.
A pesquisa, liderada pela Universidade de Exeter com parceiras de instituições brasileiras e internacionais, mapeou 48 Zonas de Transferência de Sementes em seis grandes regiões de vegetação do Brasil. O estudo foi publicado recentemente na revista Plants People Planet.
O autor principal do estudo, Mateus Silva, afirmou que o Brasil enfrenta um grande desafio nas próximas décadas. Será necessário restaurar milhões de hectares de terra degradada enquanto responde às crises interligadas de mudanças climáticas e perda de biodiversidade.
Segundo Silva, encontrar esse desafio exigirá mais do que simplesmente plantar árvores. Será necessário plantar as sementes certas nos lugares certos.
O estudo também projetou “desajustes” entre as zonas de sementes atuais e futuras em 51-88% do território brasileiro até o ano 2100. Isso significa que projetos de restauração projetados apenas com base no clima atual podem enfrentar dificuldades no futuro.
A pesquisa identificou desequilíbrios significativos entre o fornecimento e a demanda de sementes em todo o Brasil. Várias regiões, especialmente no Cerrado central, possuem grandes áreas que necessitam de restauração.
Essas lacunas podem se tornar um grande gargalo para os compromissos de restauração do Brasil. A meta nacional é restaurar 12 milhões de hectares de vegetação nativa até 2030.
O estudo destaca o crescente papel das redes comunitárias de sementes na economia de restauração do Brasil. Redário é um ator chave: reúne mais de 30 redes de sementes em todo o país.
Muitas pessoas envolvidas na coleta de sementes são Povos Indígenas, Quilombolas e agricultores familiares. Eles geram renda enquanto ajudam a conservar a natureza.
Eduardo Malta, coordenador do Redário no Instituto Socioambiental, comentou que o trabalho é fundamental. As Zonas de Transferência de Sementes ajudam a orientar melhor a produção e fornecer maior segurança para a circulação de sementes nativas.
Danielle Celentano, membro do comitê gestor do Redário, acrescentou que grandes iniciativas de restauração têm uma oportunidade concreta aqui. Elas podem promover resiliência climática, alinhando ciência, prática e impacto em escala.
Besides maps of Seed Transfer Zones, the study provides an open framework that restoration practitioners, governments, NGOs and private companies can use to guide seed-sourcing decisions. Os pesquisadores também desenvolveram uma plataforma online interativa que permite aos usuários visualizar a distribuição atual e futura das Zonas de Transferência de Sementes sob diferentes cenários climáticos, conforme detalhado no portal Phys.org.
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