A pesquisa Paraná Pesquisas divulgada nesta quinta-feira no Estadão derruba a leitura preguiçosa de que a eleição paulista já estaria decidida. Entre as mulheres, Fernando Haddad praticamente empata com Tarcísio de Freitas no primeiro turno.
São 39,9% para o governador e 37,8% para o ministro da Fazenda, uma diferença de apenas 2,1 pontos, abaixo da margem de erro de 2,5 pontos do levantamento.
No cenário de segundo turno o quadro feminino também está apertado. Tarcísio tem 44,7% e Haddad, 43,0%, igualmente empate técnico.
As mulheres são maioria do eleitorado paulista, com 18,22 milhões de eleitoras, 53% do total.
E São Paulo não é um estado qualquer, é o maior colégio eleitoral do país. São 34,4 milhões de eleitores, quase um quarto de todo o eleitorado brasileiro.
O segmento em que Haddad já empata é o maior e mais estratégico de toda a disputa nacional. Quem vence entre as mulheres de São Paulo larga com vantagem decisiva.
Aplicados ao eleitorado feminino, os 37,8% de Haddad equivalem a cerca de 6,9 milhões de eleitoras, contra 7,3 milhões de Tarcísio.
No conjunto do estado, os 33,5% de Haddad no primeiro turno representam algo perto de 11,5 milhões de eleitores, projetados sobre o eleitorado total. Em 2022, o petista fez 8,34 milhões de votos no primeiro turno e 10,9 milhões no segundo. Haddad parte agora de um piso que já flerta com o teto que alcançou há quatro anos.
Os desafios de Haddad, no entanto, serão enormes. A aprovação de Tarcísio é alta, com 70,9% entre os homens e 58,6% entre as mulheres, e sustenta a sua dianteira.
A avaliação positiva do governo soma 48,6%, contra 22,5% de negativa. No agregado o governador lidera o primeiro turno com folga, 47,3% a 33,5%, e a pesquisa chega a sugerir chance de vitória já na primeira rodada.
A vantagem de Tarcísio se concentra quase inteira no eleitorado masculino. Entre os homens ele abre 55,6% a 28,7% no primeiro turno e 61,8% a 31,4% no segundo.
É o voto masculino que segura a liderança do governador. Entre as mulheres, repita-se, a eleição está em aberto.
Vai dar trabalho, no estado e na articulação nacional. Mas a frente ampla democrática tem chance concreta em São Paulo, e os números de hoje provam isso.
Pela força de Haddad entre as mulheres e pela recuperação recente do governo federal, Lula pode ter desempenho competitivo no estado em 2026. São Paulo virou eleitorado dividido, não eleitorado entregue.
O dado mais animador para o campo de Lula está no Senado. São Paulo elege dois senadores em 2026, e as duas vagas hoje estão com nomes do governo.
Marina Silva lidera com 36,6% e Simone Tebet vem logo atrás, com 34,3%, empatadas dentro da margem. As duas superam com folga os nomes do bolsonarismo, como Guilherme Derrite, com 25,1%, e Ricardo Salles, com 18,7%.
Se a eleição fosse hoje, o campo democrático faria as duas cadeiras paulistas no Senado. É uma base de sustentação que vale tanto para a corrida estadual quanto para a presidencial.
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