Cientistas do mundo todo celebram uma descoberta monumental no reino marinho, com mais de 1.100 novas espécies identificadas em apenas um ano, representando um salto de 54% na capacidade anual de catalogação da vida oceânica. Esta façanha foi possível graças à iniciativa global Ocean Census, uma organização dedicada a acelerar o tradicionalmente moroso processo de descoberta de espécies marinhas.
A missão, lançada em abril de 2023, envolveu 13 expedições e nove workshops de descoberta de espécies com cientistas de renome mundial, utilizando tecnologias avançadas como imagens de alta resolução, sequenciamento de DNA e redes globais de compartilhamento de dados.
As espécies foram encontradas nas regiões mais remotas e menos exploradas dos oceanos do planeta, com algumas descobertas feitas em profundidades de até 6.575 metros, incluindo o misterioso ‘tubarão-fantasma’, uma esponga carnívora conhecida como ‘bola da morte’ e um verme que vive em um ‘castelo de vidro’.
Com o objetivo de documentar 100.000 novas espécies, a Ocean Census desenvolveu uma plataforma digital chamada NOVA que reconhece o status de ‘descoberto’ como um status científico formal, permitindo que os dados estejam disponíveis em semanas ou até dias, reduzindo o tempo médio de 13.5 anos entre descoberta e descrição formal.
Michelle Taylor, chefe de Ciência da Ocean Census, alerta sobre a urgência dessas descobertas: ‘Com muitas espécies em risco de desaparecer antes mesmo de serem documentadas, estamos em uma corrida contra o tempo para entender e proteger a vida marinha.’
Oliver Steeds, diretor da Ocean Census, destaca o contraste entre os investimentos em exploração espacial e os recursos destinados ao estudo de nosso próprio planeta: ‘Gastamos bilhões procurando vida em Marte ou indo no lado escuro da lua. Descobrir a maioria da vida em nosso próprio planeta – em nosso próprio oceano – custa uma fração disso. A pergunta não é se podemos nos dar ao luxo de fazer isso. É se podemos nos dar ao luxo de não fazer.’
Enquanto cada missão Artemis da NASA custa aproximadamente US$ 4,1 bilhões, a Ocean Census estima que seu objetivo de descobrir 100.000 novas espécies exigiria ‘pelo menos US$ 1 bilhão, avanços tecnológicos contínuos e uma rede global parceira em expansão’, um investimento consideravelmente menor.
Entre as descobertas fascinantes está o Chimaera (Chimaera sp. 1), um tubarão-fantasma encontrado no Parque Marinho do Mar de Coral, na Austrália, um peixe cartilaginoso antigo que divergiu de um ancestral comum com tubarões e raias há quase 400 milhões de anos, predando os dinossauros.
Outra descoberta notável é o verme simbiótico (Dalhousiella yabukii), encontrado na cadeia de montes submarinos Shichiyo, no Japão, que vive em relação simbiótica com uma esponja de vidro, fazendo de suas elaboradas câmaras seu lar.
A esponga carnívora ‘bola da morte’ (Chondrocladia sp.), encontrada na Trincheira Norte das Ilhas Sandwich do Sul, difere das espongas tradicionais por ser predadora, coberta de ganchos microscópicos parecidos com velcro para capturar presas na correnteza.
A pena-do-mar (Ptilella sp. OCSS_1146), encontrada na Mystery Ridge nas Ilhas Sandwich do Sul, é uma coral colonial que atua como árvores no fundo do mar profundo, com colônias de pólipos cooperativos cada um desempenhando funções diferentes.
O verme-fitonia (Drepanophoridae sp.1), medindo menos de 3 cm de comprimento, pode usar sua pigmentação como aviso visual para predadores, e suas toxinas únicas já foram investigadas como tratamentos potenciais para Alzheimer e esquizofrenia, conforme revelou uma pesquisa.
Com seis novas expedições e cinco workshops de descoberta de espécies já planejados para 2026, a Ocean Census continua sua missão de desvendar os mistérios dos oceanos antes que eles se percam para sempre.
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