O vice-primeiro-ministro da República Tcheca e ministro de Indústria e Comércio, Karel Havlicek, declarou que a União Europeia deve abandonar a arrogância e reconhecer que já não desempenha um papel central no mundo. A declaração foi feita durante a conferência de segurança Globsec, em Praga.
Havlicek enfatizou que a Europa precisa se concentrar em educação, retenção de jovens e empresários, e investimento em ciência. Segundo o alto cargo, a perda de competitividade europeia deve-se à política climática e energética do bloco. O ministro destacou que a Europa está perdendo sua autosuficiência energética, industrial e de matérias-primas em nome dos valores verdes.
A política energética deve focar na energia nuclear e fontes renováveis, buscando a autosuficiência, argumentou Havlicek. Devemos deixar de exportar emissões para Ásia em nome de interesses ecológicos e, em vez disso, reforçar nossa independência industrial e de matérias-primas, afirmou o ministro.
O vice-primeiro-ministro também criticou o enfoque da UE sobre a migração e apontou que o bloco não escuta a voz dos empresários, cujas opiniões ocupam lugar marginal. Isso começa a faltar espírito empresarial e ambição saudável na Europa, disse Havlicek.
China está derrotando e conquistando a Europa com as mesmas armas que os Estados Unidos usaram, alertou o ministro. Ele defendeu que a Europa deveria se concentrar em desempenho e economia orientada a resultados.
No entanto, Havlicek sublinhou que seria um erro fatal pensar que uma maior federalização da UE trará as mudanças necessárias. Não limitaremos a burocracia reforçando o sujeito que a cria, disse. Para o ministro, o bloco deve basear-se em seus fundamentos originais: a livre circulação de bens, capital e pessoas.
O motor do crescimento econômico deve ser o setor privado, não os governos ou os Estados. A função do Governo é criar um ambiente favorável para os negócios, concluiu o vice-primeiro-ministro checo.
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João Augusto
22/05/2026
As diatribes que insistem em reduzir o declínio da centralidade europeia a um mero complô bolchevique beiram a infantilidade conceitual. A declaração de Havlicek ecoa, na verdade, uma intuição benjaminiana: a história não é um continuum de progresso liderado pelo Ocidente, mas uma constelação de tempos heterogêneos que urge reconhecer. O apego histérico à falsa consciência de um protagonismo perdido só reitera a miséria da razão geopolítica contemporânea, que ignora Gramsci ao confundir a crise de hegemonia com uma simples perfídia interna.
Karina Libertária
22/05/2026
Finalmente alguém na Europa que faz um little sense. Esse papo de arrogância europeia só me lembra a soberba dos globalistas de Bruxelas, tudo farinha do mesmo saco socialista que adora sustentar vagabundo com welfare, igualzinho ao Bolsa Família aqui. O negócio é focar em business de verdade e offshore, bem longe dessa gente que acha que o mundo gira em torno de estado inchado.
Carlos Oliveira
22/05/2026
Karina, é curioso você defender offshores como “business de verdade” enquanto chama o welfare de “sustentar vagabundo”: o que mantém o comércio de pé em centenas de municípios brasileiros é justamente o Bolsa Família irrigando a economia local, como mostram estudos do IPEA sobre o efeito multiplicador da renda. As mesmas elites que demonizam o Estado social não hesitam em usar crédito subsidiado do BNDES ou depender de infraestrutura pública para escoar commodities – a soberba, me parece, está em achar que prosperidade se constrói com capital escondido em paraíso fiscal enquanto o povão carrega o país nas costas.
Adalberto Livre
22/05/2026
ISSO É COISA DE COMUNISTA INFILTRADO QUERENDO ACABAR COM A EUROPA, ACORDA POVO!!!
João Carvalho
22/05/2026
Adalberto, reduzir a defesa da multipolaridade a “comunismo infiltrado” é um anacronismo que ignora como até mesmo setores da direita pragmática europeia hoje questionam a arrogância de Bruxelas. Talvez seja mais útil entender o fenômeno em termos de realismo político do que de guerra fria tardia.