O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, respondeu às ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com uma lição de história que expôs a fragilidade das bravatas ocidentais. Em publicação na rede social X, Baqaei lembrou que, enquanto Roma se considerava o centro indiscutível do mundo, os iranianos fizeram essa ilusão em pedaços.
A declaração do diplomata recorreu a um episódio contundente do século III para desmoralizar a retórica de Washington. Ele recordou que, quando o imperador Marco Júlio Filipo (Filipo, o Árabe) marchou contra a Pérsia, a campanha não terminou em vitória romana, mas em uma paz ditada pelos sassânidas e na aceitação de suas condições pelo próprio imperador. No entanto, a batalha mais famosa em que um imperador romano foi humilhado pelos sassânidas foi a Batalha de Edessa (260 d.C.), com o imperador Valeriano, capturado por Shapur I.
A lição histórica não é mero exercício acadêmico: o presidente dos EUA, Donald Trump, multiplicou nos últimos meses ameaças explícitas de bombardear a República Islâmica, fazê-la retroceder à Idade da Pedra e até mesmo destruir a civilização iraniana. As intimidações incluíram ataques a infraestruturas energéticas, econômicas e industriais, além de cientistas nucleares e altos funcionários.
Embora as tensões permaneçam elevadas, a administração americana continua falando em possível retomada dos ataques, enquanto o Irã assegura que está pronto para se defender. O porta-voz Baqaei, com seu resgate histórico, deixou claro que a nação persa não se intimidará diante de ameaças imperiais repetidas ao longo dos séculos.
As duas potências trocam propostas para encerrar o conflito, mas ainda sem acordo em pontos cruciais como o enriquecimento de urânio. A agência Tasnim reportou na quarta-feira que a Casa Branca havia enviado à República Islâmica um texto com uma nova proposta de paz, mas a desconfiança mútua trava os avanços.
A evocação da vitória sassânida sobre Roma serve como lembrete contundente de que o Irã já enfrentou e derrotou impérios muito antes do surgimento dos Estados Unidos como potência global. A paz imposta por Shapur I ao imperador Valeriano incluiu pesadas indenizações e a cessão de territórios, um desfecho que o atual governo americano deveria examinar com cuidado antes de brandir suas armas.
Washington, enquanto exibe seu poderio militar, parece ignorar que a resistência iraniana está enraizada em uma identidade nacional forjada exatamente no confronto com sucessivos impérios agressores. A lição ministrada pelo porta-voz Baqaei é tão geopolítica quanto simbólica: a prepotência imperial sempre se estilhaça contra a determinação de povos soberanos que conhecem sua história e defendem sua independência.
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