A Tesla mudou novamente o nome de seu controverso sistema de direção no mercado chinês, substituindo a ambiciosa designação ‘Full Self-Driving’ por um termo mais modesto e realista. A mudança, identificada no site oficial da montadora, reflete a pressão dos reguladores chineses, o maior mercado automotivo do planeta.
A empresa de Elon Musk vendeu a promessa de veículos autônomos por mais de uma década, cobrando até 15 mil dólares pelo software que supostamente transformaria cada carro em um robô motorista. No entanto, o sistema permanece no nível 2 da classificação padronizada de direção autônoma, o que exige supervisão constante.
Sob a nova nomenclatura, o sistema se torna ‘特斯拉辅助驾驶’, traduzido literalmente como ‘Tesla Assisted Driving’ ou ‘Direção Assistida Tesla’, conforme apurou o portal especializado Electrek. Representa um recuo significativo para uma empresa que construiu sua valuation bilionária sobre a promessa da condução autônoma.
A trajetória das nomenclaturas na China mostra a dificuldade da Tesla em sustentar sua marca: inicialmente o sistema foi lançado como ‘FSD Intelligent Assisted Driving’, depois a sigla FSD foi suprimida, e agora a palavra ‘Intelligent’ também foi removida. O resultado é uma descrição mais fiel ao que o produto efetivamente faz: assistir o motorista, e não substituí-lo.
Os reguladores chineses têm sido menos tolerantes com alegações infladas sobre tecnologias de segurança veicular. Recentemente, Pequim introduziu regulamentações abrangentes sobre maçanetas embutidas, revertendo uma tendência de design popularizada globalmente pela Tesla.
A mudança de nome se aplica apenas à China continental, já que no site de Hong Kong, uma região administrativa especial com leis próprias de trânsito, o sistema continua sendo vendido como ‘Full Self-Driving’. A discrepância expõe o caráter oportunista da estratégia de marketing da companhia, que se adapta apenas onde é obrigada.
A competição no mercado chinês de sistemas de assistência à direção é feroz e não dá trégua à Tesla. Diversas montadoras locais oferecem tecnologias equivalentes, muitas vezes gratuitamente, e a disputa por supremacia técnica se intensifica a cada trimestre.
Elon Musk, CEO da Tesla, repete há cerca de dez anos que a direção verdadeiramente autônoma chegará ‘no final do próximo ano’, uma promessa que se tornou motivo de escárnio entre analistas e consumidores. A mudança de nome na China representa, na prática, uma confissão tácita de que o ‘lobo’ da autonomia total talvez nunca venha.
A Tesla pode rebatizar o sistema novamente no futuro ou oferecer versões múltiplas, evitando vender algo chamado ‘Full Self-Driving’ que não dirige sozinho. Por ora, a pressão chinesa conseguiu o que anos de críticas nos Estados Unidos não alcançaram: forçar a empresa de Musk a chamar seu produto pelo que ele realmente é.
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