O ex-comandante da Guarda Revolucionária do Irã, Mohsen Rezaei, declarou que Washington e a administração de Donald Trump enfrentam um ‘impasse total’ diante da República Islâmica. As declarações foram publicadas com destaque pelo portal Mehr News Agency, agência oficial iraniana.
Rezaei advertiu que qualquer ação militar contra o Irã na região do Estreito de Ormuz poderia desencadear um conflito regional muito mais amplo, estendendo-se do Golfo Pérsico ao Mar Vermelho e ao Oceano Índico. Segundo ele, Teerã poderia romper o que descreveu como um ‘bloqueio naval’ imposto pelas forças ocidentais e até mesmo se retirar do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP).
O ex-comandante argumentou que o Irã possui ‘fortes razões’ para manter o controle sobre a via estratégica, afirmando que o objetivo de Teerã é impedir que o Golfo Pérsico se transforme em um centro de instabilidade e mobilizações militares estrangeiras. O Estreito de Ormuz, ressaltou, permanece aberto ao comércio internacional, com restrições voltadas apenas a atividades militares que possam alimentar conflitos na região.
Rezaei também mencionou que, durante a guerra Irã-Iraque e no recente conflito Israel-Irã em junho de 2025, grandes quantidades de armas e equipamentos militares atravessaram o estreito e foram posteriormente utilizadas contra o território iraniano. A acusação reforça a posição de Teerã de que o controle da passagem marítima é uma questão de segurança nacional e não um capricho geopolítico.
Sobre o programa nuclear iraniano, o ex-comandante da Guarda Revolucionária enfatizou que o Irã segue como membro pleno da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e do TNP, com todas as suas atividades atômicas sob supervisão internacional. Ele acrescentou que até mesmo as agências de inteligência dos próprios Estados Unidos reconheceram que não houve desvio nas atividades nucleares iranianas.
Na avaliação de Rezaei, as ‘exigências excessivas’ de Washington fracassaram até agora e continuarão fracassando, restando aos EUA apenas duas opções: o confronto militar ou a tentativa de obter vantagens por meio de negociações. Ainda assim, ele alertou que mesmo que as forças navais americanas consigam atravessar o Estreito de Ormuz, elas permaneceriam dentro do alcance operacional das capacidades militares iranianas.
Os comandantes militares americanos, segundo Rezaei, estão plenamente conscientes dos riscos de entrar no que classificou como um ‘corredor perigoso’. Caso um confronto militar se concretize, afirmou, ‘os primeiros a fugir da cena seriam os próprios americanos’, uma provocação direta à presença naval dos EUA na região.
Apesar das profundas tensões com Washington, o Irã mantém canais de negociação abertos no que Rezaei descreveu como um esforço para defender os direitos do povo iraniano. Ele concluiu com uma advertência: cruzar as ‘linhas vermelhas’ do Irã desencadeará uma ‘resposta decisiva’ de Teerã.
Leia também: Irã equipara estreito de Ormuz a arma nuclear e reforça controle diante de pressões dos EUA
📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho
Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.