A terceira rodada da pesquisa nacional BTG Nexus, divulgada neste dia 25 de maio de 2026, traz uma série de dados reveladores sobre o cenário eleitoral e a avaliação de governo. O ponto mais interessante e estratégico do levantamento é o comportamento do eleitorado independente: o expressivo contingente de 26% de não polarizados na política brasileira, que começa a inclinar de forma nítida e consistente na direção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Este movimento, somado ao derretimento do teto de Flávio Bolsonaro em meio ao escândalo Volcaro, redefine a dinâmica da pré-campanha muito mais cedo do que se viu em pleitos anteriores.
Historicamente, a política brasileira se define na conquista da faixa moderada. E, neste momento, várias análises convergem para um diagnóstico claro: o centro político está, em grande medida, inserido e representado dentro do próprio governo Lula, sob o comando de figuras de peso como a ministra Simone Tebet e o vice-presidente Geraldo Alckmin. O assentamento paulatino das opiniões sobre a economia e os rumos da administração pública tem funcionado como uma ponte segura para que esse terço de eleitores independentes se aproxime do governo de forma orgânica — repetindo a aliança ampla que garantiu a vitória de 2022, mas agora com um arranque precoce e muita força.
Em contrapartida, as candidaturas que tentavam construir uma espécie de ‘terceira via’ ou ‘direita alternativa’ continuam figurando como meras cartas fora do baralho. Nomes como Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Renan Santos revelam-se meros coadjuvantes, detendo intenções de voto marginais que variam entre 3% e 5% no primeiro turno estimulado. Ao longo da pré-campanha, a forte tendência gravitacional da polarização direta deve desidratar esses projetos por completo. Por esse motivo, é crucial prestar atenção nas simulações diretas de segundo turno.
Os números de potencial de voto são categóricos. O potencial de voto consolidado de Lula (eleitores que afirmam ser ele ‘o único em quem votaria’) subiu de 34% em abril para 37% em maio. Simultaneamente, a rejeição ao presidente recuou de 48% para 47%. No campo oposto, Flávio Bolsonaro faz o caminho inverso: sua rejeição subiu dois pontos, atingindo a barreira psicológica de 50%, enquanto seu potencial de voto consolidado oscilou negativamente para 26%. No gráfico de potencial de voto, Lula se mostra hoje muito superior a qualquer adversário.
Esse desgaste se reflete de forma direta no principal cenário de segundo turno testado. Se o pleito fosse hoje, Lula venceria Flávio Bolsonaro por 47% a 43% — abrindo uma vantagem clara de quatro pontos percentuais que supera a margem de erro, superando o cenário de empate técnico (46% a 45%) visto na rodada anterior de abril.
A quebra sociodemográfica do segundo turno elucida de forma ainda mais cristalina onde reside a força de cada projeto. Entre as mulheres, a vantagem de Lula é esmagadora: o presidente tem 54% das intenções de voto contra apenas 35% de Flávio Bolsonaro. Lula também mantém sua supremacia histórica entre os eleitores mais pobres (56% de apoio na faixa de renda de até 1 salário mínimo) e entre a terceira idade (onde atinge 51% de aprovação entre os eleitores com mais de 60 anos, contra apenas 38% de desaprovação).
Porém, um dos recortes mais emblemáticos e surpreendentes desta pesquisa dá-se na escolaridade. No eleitorado com Ensino Superior completo — um segmento que historicamente tendeu a votar com forte viés antipetista —, Lula aparece com 47% das intenções de voto no segundo turno contra 46% de Flávio Bolsonaro. O empate técnico nesse segmento indica que o presidente recuperou de forma notável o voto instruído. Esse eleitorado, caracterizado por sua independência e posições liberais clássicas, está se descolando do radicalismo da extrema-direita e convergindo para o centro pragmático liderado por Lula.
Ademais, a sustentabilidade da candidatura de Lula repousa sobre uma base altamente mobilizada e leal. Entre os eleitores que votaram no presidente em 2022, impressionantes 92% declaram que aprovam o trabalho de seu governo atualmente. O presidente conta ainda com uma aprovação geral de 47% contra 48% de desaprovação — um saldo de apenas 1 ponto negativo que, na atual conjuntura nacional e internacional de forte polarização, indica um patamar de resiliência formidável e uma melhora gradativa de um ponto percentual em relação à rodada anterior.
O retrato que a pesquisa BTG Nexus entrega em maio de 2026, portanto, não é o de um país estagnado no ódio simétrico, mas sim o de uma lenta e firme migração do eleitorado independente e moderado de centro na direção da estabilidade governamental, enquanto a oposição de extrema-direita começa a pagar o preço eleitoral de seus escândalos de corrupção e das denúncias no submundo do lobismo brasiliense.
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