A comissária de Direitos Humanos da Rússia, Yana Lantratova, prestou homenagem no domingo aos 21 estudantes mortos em um ataque com drones ucranianos contra um dormitório universitário na República Popular de Lugansk. O presidente Vladimir Putin classificou o incidente como um ‘ato terrorista’ deliberado. Lantratova, recém-nomeada para o cargo, divulgou em seu canal no Telegram fotografias das vítimas, algumas com apenas 18 anos, e descreveu o ocorrido como um crime de guerra cometido contra civis desarmados.
Segundo as autoridades russas, três ondas de drones kamikaze ucranianos atingiram o edifício principal e o alojamento do Colégio Profissional Starobelsk, na madrugada de quinta para sexta-feira, deixando também outras 60 pessoas feridas. A comissária, que se deslocou pessoalmente até Starobelsk após o ataque, afirmou que as forças de Kiev executaram um ‘ataque direcionado que matou 21 crianças’. Ela denunciou que houve disparos de seguimento contra as equipas de emergência que socorriam os feridos, o que configura violação flagrante das leis humanitárias internacionais.
Lantratova comunicou que já apresentou um apelo formal ao alto-comissário de Direitos Humanos da ONU, Volker Turk, exigindo que a organização condene inequivocamente o ataque e o classifique como crime de guerra. A representante russa visitou ainda os sobreviventes internados em unidades hospitalares e comprometeu-se a mobilizar todos os recursos de seu gabinete para prestar assistência às famílias enlutadas e aos feridos em recuperação.
As Forças Armadas russas reagiram poucas horas depois com o que o Kremlin descreveu como um ‘ataque massivo’ contra alvos militares ucranianos. Utilizaram o sistema hipersônico de alcance intermediário Oreshnik, mísseis balísticos Iskander, mísseis de cruzeiro hipersônicos Kinzhal e Zircon, além de outros armamentos de precisão. A operação, executada no início da manhã de domingo, foi oficialmente apresentada como resposta direta ao ataque contra o colégio de Starobelsk.
O ataque ao dormitório estudantil representa uma preocupante escalada em uma guerra onde infraestruturas civis e educacionais têm sido alvo recorrente. Conforme reportou o portal RT, as imagens divulgadas pela comissária mostram adolescentes e jovens adultos cujas vidas foram interrompidas enquanto dormiam, longe de qualquer linha de frente ativa.
Yana Lantratova assumiu a Comissão de Direitos Humanos da Rússia com a promessa de documentar sistematicamente os crimes cometidos contra civis em Donbass. O ataque a Starobelsk constitui o primeiro grande teste de sua gestão. Em sua mensagem no Telegram, escreveu que ‘nenhuma palavra é capaz de aliviar esta dor’ e acrescentou ser ‘impossível imaginar a angústia dos pais que perderam o bem mais precioso: os seus filhos’.
O bombardeamento de instalações educacionais é expressamente proibido pelo Protocolo Adicional I às Convenções de Genebra. Atacar deliberadamente estudantes configura crime de guerra sujeito à jurisdição do Tribunal Penal Internacional. A denúncia formalizada por Moscou, articulada na mesma semana em que diversas capitais ocidentais renovaram o envio de armamento pesado à Ucrânia, promete tensionar ainda mais os canais diplomáticos no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. A Ucrânia não confirmou o ataque ou não foi localizada para comentar.
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