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Flávio Bolsonaro pensa que o brasileiro se importa com Trump

2 Comentários🗣️🔥 Senador voa para os EUA no pior momento de sua pré-campanha Flávio Bolsonaro chegou a Washington na manhã desta segunda-feira (25/5) com um objetivo claro e um problema enorme nas costas. O senador e pré-candidato à Presidência desembarcou na capital norte-americana em busca de uma reunião com Donald Trump — um encontro que, […]

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Senador embarcou na classe executiva em meio ao escândalo com o banqueiro Daniel Vorcaro e evitou dar detalhes sobre a reunião / Reprodução

Senador voa para os EUA no pior momento de sua pré-campanha

Flávio Bolsonaro chegou a Washington na manhã desta segunda-feira (25/5) com um objetivo claro e um problema enorme nas costas. O senador e pré-candidato à Presidência desembarcou na capital norte-americana em busca de uma reunião com Donald Trump — um encontro que, se acontecer, vai ocorrer justamente no momento mais delicado de toda a sua trajetória política recente.

A BBC News Brasil acompanhou a viagem e estava a bordo do mesmo voo. Tanto no aeroporto de Guarulhos, antes do embarque, quanto durante as nove horas de voo, Flávio evitou qualquer detalhe sobre o encontro com o presidente americano.

“Não posso dar detalhes. A orientação é que não falássemos nada antes da reunião acontecer”, disse Flávio à BBC News Brasil.

A cautela é compreensível. Nos últimos dias, duas pesquisas do Datafolha e da Atlas/Intel registraram queda nas intenções de voto do senador — tanto no primeiro turno quanto nos cenários de segundo turno. Antes do escândalo envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, Flávio aparecia numericamente à frente de Lula nas simulações de segundo turno. Agora, aparece atrás. O agregador de pesquisas da própria BBC News Brasil confirma essa tendência.

Por trás da viagem, assessores e parlamentares próximos ao senador afirmam que o convite veio da Casa Branca. Segundo eles, o contato foi intermediado pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão de Flávio, que mora nos Estados Unidos desde o ano passado. A BBC News Brasil procurou tanto a Embaixada americana no Brasil quanto a Casa Branca, mas não obteve retorno de nenhuma das duas.

O embarque aconteceu por volta das 20h30 do domingo (24/5), no portão 318 do Terminal 3 de Guarulhos. Flávio chegou perto do final do embarque, acompanhado apenas de um segurança. Apresentou seu passaporte diplomático e passou à frente dos demais passageiros na fila.

Como o portão 318 não tem acesso direto à aeronave, o senador e seu segurança precisaram pegar um ônibus até o avião — em pé, como qualquer outro passageiro. Dentro do Boeing 767-400, cada um seguiu para seu lugar: Flávio, na classe executiva; o segurança, logo atrás, na seção Economy Premium.

Durante o voo, o senador aparentou tranquilidade. Ficou numa cabine com reclinação quase completa e, no jantar, optou por bife com arroz, farofa e couve no vapor. Na sobremesa, pediu sorvete. Nas fileiras ao redor, alguns passageiros reconheceram o senador. Uma delas, também na classe executiva, pediu foto. Flávio aceitou.

Flávio Bolsonaro no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, antes do embarque para Washington, nos EUA

Senador embarcou para Washington usando um passaporte diplomático / BBC

As passagens na classe executiva do trecho São Paulo-Washington podem facilmente superar R$ 10 mil. Até o fechamento desta reportagem, não havia informação clara sobre quem pagou a viagem — se o próprio Flávio, se a cota parlamentar do Senado ou se o PL, seu partido.

A previsão é de que o encontro com Trump aconteça nesta terça-feira (26/5). Flávio deve retornar ao Brasil na quarta-feira (27/5). Além da reunião com o presidente americano, a agenda prevê também um encontro com integrantes do segundo escalão do Departamento de Estado. O secretário Marco Rubio não estará disponível — ele viajou à Índia para acompanhar negociações sobre um possível acordo entre os Estados Unidos e o Irã.

No comando da campanha de Flávio, a leitura é direta: o encontro com Trump precisa interromper a sangria. Semanas seguidas de notícias negativas, centradas na ligação do senador com Vorcaro, corroeram sua imagem. Uma foto com Trump, um aperto de mão, qualquer sinal de proximidade com o líder da direita global — tudo isso pode funcionar como oxigênio para uma pré-campanha que começa a dar sinais de sufocamento.

Questionado pela BBC News Brasil sobre a pauta da reunião, Flávio admitiu que ainda não tinha os temas definidos e que precisaria alinhar com auxiliares antes do encontro.

Apesar da pauta indefinida declarada pelo senador, a BBC News Brasil apurou que um dos temas centrais que Flávio pretende levar a Trump é a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos.

Trata-se de uma bandeira que Flávio defende há algum tempo. O governo Lula, porém, rejeita a proposta com firmeza. A argumentação do Palácio do Planalto é que essa classificação poderia abrir caminho para justificar eventuais ações militares americanas em território brasileiro — uma hipótese que o governo trata como inaceitável do ponto de vista da soberania nacional.

Além da divergência de mérito, o tema tem potencial de transformar a reunião em Washington num evento de atrito diplomático. Tudo depende de como Trump vai receber a proposta — e de como vai sinalizar sua posição após o encontro.

Do outro lado, o presidente Lula acompanha a movimentação com cautela calculada. Apesar da aproximação recente entre o petista e Trump, parte do governo brasileiro ainda desconfia da postura americana ao longo do processo eleitoral. A dúvida central é se Washington vai manter uma posição de neutralidade — ou vai sinalizar preferência.

Um interlocutor de Lula afirmou à BBC News Brasil, em caráter reservado, que o governo não pretende criar obstáculos à visita de Flávio nem cobrar explicações da Casa Branca. A avaliação interna é de que a ida a Washington funciona, acima de tudo, como uma tentativa de mudar o noticiário e produzir algum conteúdo positivo para a pré-campanha do senador.

Ainda assim, o governo vai acompanhar o encontro de perto — e só depois decidirá se adota algum posicionamento público. Enquanto isso, Lula também é pré-candidato à Presidência. E uma foto de Flávio com Trump, dependendo do contexto, pode ser um ativo ou um problema — para os dois lados.

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Rhyan de Meira

Rhyan de Meira é jornalista pela Universidade Federal Fluminense, escreve sobre política, economia e carnaval. É repórter, redator e editor dos site O Cafezinho e Rio Carta. / Contato: Redes: @rhyandemeira / Email: rhyandemeira@hotmail.com

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Flávio Girardon

27/05/2026

Creio que Flávio Bolsonaro foi pedir socorro a Trump em uma tentativa de interferir nas eleições brasileiras a seu favor. O Senador é um entreguista e anseia pelo poder, principalmente na busca por tirar o pai da prisão. Agora a imagem de Trump pelo mundo afora não é boa, geralmente quando ele se posiciona em eleições de outros países acaba gerando efeito contrário. Me parece um certo desespero do pré-candidato tentando mostrar força não se importando com o cenário adverso envolvendo Trump e a extrema direita.

Natailia

27/05/2026

Sim, os brasileiros se importam bastante com Trump e os EUA.


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