Quatro policiais militares do estado de Goiás foram promovidos por ato de bravura em decorrência de sua atuação no acidente radiológico com o Césio-137, que ocorreu em Goiânia em 1987. O reconhecimento foi publicado no Diário Oficial do estado, quase quatro décadas após os fatos, devido ao envolvimento dos próprios militares em ações na Justiça.
Os policiais atuaram diretamente na proteção do material radiológico sem utilizar qualquer equipamento de proteção individual, expondo-se a riscos graves para conter os danos do que é considerado um dos maiores acidentes nucleares fora de uma usina no mundo. A promoção tem efeito retroativo contado a partir do momento em que cada um entrou com a ação judicial, entre 2024 e 2026.
Foram promovidos os seguintes militares: o 1º sargento da reserva Reginaldo Reis Chagas do Carmo, elevado ao posto de subtenente; o 1º sargento da reserva Mauro Rosa de Castro, também alçado a subtenente; o 1º sargento Antônio Carlos Pereira, igualmente promovido a subtenente; e o 2º sargento da reserva Rômulo Almeida dos Santos, que passou a 1º sargento. Todas as promoções foram formalizadas no ato publicado pelo governo estadual.
A Polícia Militar de Goiás disse que os critérios para promoção por ato de bravura seguem os requisitos técnicos e legais previstos no ordenamento jurídico vigente e na legislação aplicável à carreira militar estadual. A corporação explicou a demora no reconhecimento, afirmando que os militares levaram muitos anos para ingressar com as ações na Justiça, conforme Metrópoles reportou.
O acidente com o Césio-137, ocorrido em 1987 na capital goiana, é conhecido como um dos maiores desastres radiológicos fora de uma usina nuclear. A substância altamente radioativa estava dentro de uma cápsula de um aparelho de radioterapia abandonado após o fechamento de uma clínica, e foi encontrada por catadores que a abriram em um ferro-velho.
Quatro pessoas morreram em decorrência direta da contaminação, e pelo menos outras 112 mil tiveram que ser monitoradas por terem tido algum tipo de contato com o material radioativo. A tragédia mobilizou equipes de emergência, forças de segurança e profissionais de saúde em uma operação de contenção sem precedentes no país.
O reconhecimento tardio dos quatro policiais militares ressalta a importância de reconhecer atos de bravura, mesmo quando o poder público leva décadas para agir, consolidando o entendimento de que a justiça pode ser alcançada.
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Adriana Silva
26/05/2026
Faz o L, cara. A promoção é o mínimo que podiam fazer pelo serviço que fizeram.
Mariana Ambiental
26/05/2026
Adriana, concordo que a promoção é importante, mas não deve ser o fim da discussão. Temos que garantir medidas de segurança e acompanhamento de saúde desses policiais, que enfrentaram riscos tão significativos.
João Batista Alves
26/05/2026
A coragem desses policiais merece o reconhecimento. Através de atos de bravura, eles ajudaram a proteger a população de um perigo tão sério. Deus os abençoe por suas ações justas.
Letícia Fernandes
26/05/2026
João Batista Alves, não posso discordar da valorização da coragem, especialmente em situações de risco iminente como a exposição ao Césio-137. Contudo, é importante que essa discussão não se limite à homenagem individual, mas sim avance para uma reflexão mais ampla sobre as condições de trabalho dessas e demais categorias de servidores públicos. A promoção deve sim ser um reconhecimento, mas também uma oportunidade para repensar a segurança e os protocolos de enfrentamento de situações de emergência. Além disso, é crucial questionar em que medida a estrutura do estado e a superestrutura burguesa adequadamente investem em capacitação, bem-estar e prevenção de riscos, evitando que atos de bravura se tornem a regra em vez da exceção. Deus pode abençoar, mas a responsabilidade pela justiça e pela proteção da população recai sobre os governos e sociedade como um todo.
Ronaldo Pereira
26/05/2026
Concordamos, João Batista Alves, a coragem é inegável. No entanto, é crucial questionar se a promoção representa uma compensação adequada pelo risco à saúde e à vida desses profissionais.