Uma dupla de periquitos da Nova Zelândia alcançou um marco notável para a conservação de sua espécie. Um casal de kakariki karaka, também conhecido como periquito-de-fronte-laranja, tornou-se responsável por mais de 10% de toda a população atual.
Nacho e Trixie foram unidos em 2024 no Isaac Conservation and Wildlife Trust, na cidade de Christchurch. Desde então, a fêmea Trixie e seu parceiro produziram 55 filhotes viáveis, com um terço desse total nascido apenas em 2026.
A espécie é uma das mais raras do planeta e já foi declarada extinta em duas ocasiões. Contudo, pequenos grupos foram redescobertos em florestas remotas, permitindo o início de programas de reprodução em cativeiro.
Segundo a bióloga Leigh Percasky, que gerencia a unidade de fauna silvestre da instituição, Trixie demonstra uma energia reprodutiva impressionante. Mesmo após o fim oficial da temporada de acasalamento, a ave continuou a botar ovos e alimentar ninhadas, com mais sete filhotes no ciclo mais recente.
O esforço de Nacho também é fundamental, pois cabe ao macho encontrar alimento para a companheira e para a sucessão contínua de filhotes. Percasky comentou que, embora um descanso fosse bem-vindo para o casal, a dupla não demonstra sinais de interrupção em seu ciclo reprodutivo.
Atualmente, restam aproximadamente 450 indivíduos da espécie, a maioria vivendo em santuários livres de predadores e em ilhas com barreiras naturais. As populações selvagens são altamente vulneráveis a ratos, arminhos e gambás, espécies introduzidas no ecossistema da Nova Zelândia que ameaçam sua sobrevivência.
Wayne Beggs, coordenador do programa de recuperação do kakariki karaka no Departamento de Conservação da Nova Zelândia, destacou a importância crítica dos centros de criação. ‘Sem eles, simplesmente não conseguiríamos estabelecer novos núcleos populacionais nem repor perdas nas áreas de soltura’, afirmou.
O periquito-de-fronte-laranja é um exemplo da biodiversidade única da Nova Zelândia, que já perdeu dezenas de espécies de aves desde a colonização humana. O sucesso reprodutivo de Nacho e Trixie oferece um resultado positivo em meio aos desafios ecológicos enfrentados pelo arquipélago.
O trabalho do Isaac Conservation and Wildlife Trust, detalhado pela agência France-Presse em matéria divulgada pelo portal Phys.org, demonstra como a reprodução assistida pode reverter trajetórias de extinção. Cada filhote nascido em ambiente protegido amplia a diversidade genética e possibilita futuras reintroduções na natureza.
Os conservacionistas celebram os números inéditos, mas também monitoram a saúde do casal recordista. Embora uma pausa no ciclo reprodutivo fosse recomendada, a dupla continua a se reproduzir, desempenhando um papel fundamental na recuperação da população da espécie.
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