O governo chinês confirmou a adoção de novas diretrizes de controle de mobilidade internacional para pesquisadores estratégicos em inteligência artificial. Fundadores de startups, cientistas-chave de laboratórios estatais e executivos de empresas como Moonshot AI e ByteDance agora precisam de autorização prévia do Conselho de Segurança Tecnológica Nacional para qualquer deslocamento ao exterior.
Essa política formaliza um processo aplicado discretamente desde março de 2025, quando autoridades orientaram os principais nomes do setor a evitar viagens aos EUA. O caso mais visível envolve os cofundadores da startup Manus, cuja saída do território chinês foi suspensa enquanto se avalia se a aquisição de US$ 2 bilhões pela Meta viola a Lei de Segurança de Investimentos Estrangeiros de 2023. Conforme o portal TechCrunch, os fundadores negociam com investidores para recomprar a empresa, atendendo à exigência de manter o controle nacional.
A disputa pela Manus sintetiza o conflito estrutural entre Washington e Pequim no domínio tecnológico, onde a soberania algorítmica é tratada com a mesma prioridade que a soberania energética. O Índice Global de IA da Universidade de Stanford, divulgado em março de 2026, mostra que a diferença de desempenho entre os modelos líderes dos EUA e da China encolheu para 2,7 pontos percentuais.
Embora os EUA ainda liderem em patentes de alto impacto, a China registrou 18.423 patentes relacionadas a IA em 2025, contra 9.117 nos EUA. O volume de artigos científicos chineses citados em revistas de alto impacto cresceu 47% entre 2024 e 2025, superando pela primeira vez o total norte-americano.
Paralelamente, o governo chinês implementou controles de exportação sobre 14 materiais de terras raras essenciais para chips de IA. Uma portaria publicada em abril de 2026 também proíbe centros de dados estatais de adquirir ou operar chips de IA fabricados fora do território nacional, incluindo produtos da NVIDIA, AMD e Intel.
Essas medidas contrastam com a política dos EUA, que mantém programas de captação de talentos estrangeiros enquanto impõe restrições à exportação de suas tecnologias. A China, que perdeu mais de 120 mil doutores em ciência da computação para o Ocidente entre 2010 e 2025, agora trata seu capital humano como recurso estratégico não transferível, alinhando-se à doutrina de soberania tecnológica dos BRICS.
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