Cientistas alemães descobrem espinhos fluorescentes e sistema nervoso inédito em ascídia

Sea squirt com estruturas internas e espinhos visíveis em diagrama científico. (Foto: phys.org)

Pesquisadores da Universidade de Ruhr em Bochum, na Alemanha, detectaram pela primeira vez uma intensa autofluorescência nos espinhos cuticulares da ascídia Halocynthia papillosa. O animal marinho, também conhecido como esguicho-do-mar, revelou uma combinação única de luminescência com anatomia do sistema nervoso jamais documentada.

A descoberta foi publicada no periódico Communications Biology. O estudo foi liderado pela doutora Mareike Huhn, do Departamento de Zoologia Geral e Neurobiologia da universidade alemã.

Técnicas multimodais de imagem foram utilizadas, incluindo microscopia confocal e tomografia de sincrotron de alta resolução. A pesquisa contou com a cooperação do Instituto Leibniz de Neurobiologia em Magdeburg e do Laboratório Europeu de Biologia Molecular no centro de pesquisa DESY, em Hamburgo.

Os cientistas caracterizaram em detalhes a túnica que envolve o animal. A estrutura revelou uma arquitetura de celulose espiralada e complexa, que sustenta os espinhos fluorescentes.

A função dessas estruturas luminosas permanece um enigma. Fenômenos similares raramente foram observados em ascídias adultas, levantando questões fundamentais sobre seu papel ecológico.

Segundo Huhn, estados mecânicos como a contração do corpo podem influenciar as propriedades ópticas da túnica. A hipótese sugere funções ecológicas que ainda precisam ser examinadas.

A descoberta foi detalhada pelo portal Phys.org. O ineditismo da fluorescência nessa espécie foi destacado entre as mais de três mil ascídias conhecidas.

Outro achado surpreendente envolve o sistema nervoso central do animal. A ausência do espessamento neural esperado na região do gânglio cerebral indica variações estruturais mais amplas do que se supunha.

Essa característica em Halocynthia papillosa pode abrir novas linhas de pesquisa na biologia evolutiva. As ascídias são consideradas o elo evolutivo entre vertebrados e invertebrados.

Análises comparativas com outras espécies podem revelar novos padrões organizacionais do gânglio cerebral. Huhn afirma que os resultados oferecem pistas importantes sobre seu significado funcional.

A reconstrução tridimensional dos tentáculos dentro do sifão oral mostrou padrões organizacionais específicos da espécie. Foram identificadas subestruturas distintas e uma distribuição inédita de nervos e vasos sanguíneos.

Os métodos estabelecidos pelo estudo fornecem uma base sólida para comparar sistematicamente essas diferenças entre espécies. Os autores destacam a importância das tecnologias de imagem de ponta para compreender as relações entre anatomia e função.

A pesquisa demonstra que organismos marinhos aparentemente comuns podem abrigar traços anatômicos surpreendentes. A combinação de tecnologias avançadas oferece novas perspectivas para estudar respostas a fatores ambientais, como o ruído subaquático.


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