Uma equipe internacional de pesquisadores, liderada por cientistas chineses, descobriu um ecossistema próspero nas fossas oceânicas mais profundas do planeta. O achado, publicado na revista Science, revela uma rica comunidade de organismos vivendo em profundidades superiores a 9 quilômetros.
O estudo foi conduzido com o submersível tripulado chinês Fendouzhe, que investigou sete fossas hadais na região do Indo-Pacífico entre 2020 e 2024. O professor Peng Xiaotong, do Instituto de Ciência e Engenharia do Mar Profundo da Academia Chinesa de Ciências, descreveu o ambiente como um jardim repleto de vida, onde a pressão esmagaria um submarino e a escuridão é perpétua.
As fossas hadais são as regiões menos exploradas da Terra, com pressão extrema, ausência de luz e temperaturas próximas do congelamento. Até recentemente, acreditava-se que apenas algumas espécies, como anêmonas e bactérias, sobreviveriam nessas condições, mas a descoberta subverte esse paradigma.
Segundo reportagem do South China Morning Post, a investigação revelou faunas desconhecidas habitando essas profundidades. A biodiversidade encontrada floresce alimentando-se de detritos orgânicos que viajam quilômetros desde a superfície iluminada.
O feito marca um avanço significativo da ciência chinesa na exploração oceânica profunda. O submersível Fendouzhe, capaz de alcançar os pontos mais profundos do oceano, coloca a China na vanguarda da pesquisa hadal, liderando descobertas que reescrevem a biologia marinha.
A descoberta desse jardim subaquático amplia a compreensão sobre a resiliência da vida em condições extremas. O estudo pode oferecer pistas sobre a adaptação da vida em ambientes hostis, incluindo oceanos subterrâneos de luas como Europa, em Júpiter, ou Encélado, em Saturno.
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