EUA recuam no Estreito de Ormuz e iniciam negociação com Irã

Navios circulam no Estreito de Hormuz, com formações rochosas ao fundo. (Foto: Liveblog)

A televisão estatal do Irã revelou detalhes da mais recente minuta do memorando de entendimento entre Washington e Teerã, que pode pavimentar o fim do conflito no Oriente Médio. Segundo o documento, os Estados Unidos se comprometem a retirar as forças militares posicionadas nas proximidades do território iraniano e a revogar o bloqueio naval imposto aos portos da República Islâmica.

Em contrapartida, Teerã assumiria o compromisso de restaurar o tráfego comercial no Estreito de Ormuz aos níveis anteriores à guerra em um prazo de até um mês. A gestão do trânsito das embarcações seria realizada em colaboração direta com Omã, país que historicamente atua como mediador na região.

O memorando de entendimento estabelece que, se um acordo definitivo for alcançado em até 60 dias, o pacto deverá ser submetido ao Conselho de Segurança das Nações Unidas como uma resolução vinculante. A informação foi repercutida pela agência italiana ANSA nesta quarta-feira.

Ali Akbar Velayati, conselheiro para Assuntos Internacionais do Líder Supremo do Irã, Ali Khamenei, comentou o teor do esboço com uma declaração contundente. “Desta vez a linha vermelha do Irã está clara: documentos e assinaturas sozinhos não são garantia — o fiador concreto da sobrevivência do acordo é o Estreito de Ormuz”, escreveu em sua conta na rede social X.

Velayati acrescentou que a geografia é o juiz final dos tratados escritos no papel, recordando que todos os invasores que chegaram com desejos hegemônicos à região, de Alexandre Magno a Donald Trump, foram absorvidos pela antiga civilização iraniana. A declaração ecoa o princípio de que o controle de fato sobre a via marítima estratégica confere a Teerã uma posição de força na mesa de negociações.

O vice-chefe do Conselho Supremo para a Segurança Nacional iraniano, Ali Bagheri, reforçou que as reservas de urânio altamente enriquecido do país não estão na pauta das conversações. “Expressamos claramente nossa posição e, se os Estados Unidos quiserem discutir os detalhes da questão, não chegaremos a conclusão alguma, pois as divergências são muito amplas”, afirmou, citado pela agência Irna durante visita à Rússia.

Paralelamente, o ministério da Inteligência do Irã divulgou comunicado denunciando que EUA e Israel continuam a planejar a desintegração do país por meio de “guerra branda, guerra cognitiva e operações híbridas”. A nota acusa Israel de liderar esses complôs, apoiado pelo Reino Unido e por nações europeias e financiado por países do Golfo Pérsico, reiterando a resistência nacional contra o imperialismo.

Na frente militar, a mídia israelense noticiou que as autoridades de Tel Aviv foram informadas de que, se o acordo for assinado, todos os aviões de apoio do exército americano deixarão o aeroporto civil internacional Ben Gurion. A frota seria transferida para bases na Europa em até 72 horas, permanecendo em estado de pronta chamada para retornar caso os combates recomeçassem.

Essa movimentação ocorre dias depois de a ministra dos Transportes de Israel, Miri Regev, ter enviado carta urgente ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu pedindo a remoção imediata dos aviões-tanque americanos, que estariam prejudicando as operações civis do terminal. O deslocamento dos meios logísticos dos EUA sinaliza uma possível desescalada impulsionada pela pressão iraniana e pela dinâmica do conflito.

Enquanto a diplomacia avança, os combates prosseguem em Gaza e no sul do Líbano. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, anunciou a morte do chefe militar do Hamas, Mohammed Odeh, em um bombardeio que também matou sua esposa e filhos, ao mesmo tempo que reafirmou o plano de “emigração voluntária” da Faixa de Gaza.

O Hezbollah, por sua vez, confirmou confrontos diretos com forças israelenses ao norte do rio Litani, e a aviação israelense lançou novos ataques contra a cidade de Nabatieh. O princípio de um acordo entre Washington e Teerã representa, portanto, uma via para interromper a espiral de violência que afeta todo o Oriente Médio.


Leia também: Navios iranianos rompem bloqueio naval dos EUA no Estreito de Ormuz


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Redação:
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