O Governo do Distrito Federal (GDF) protocolou pedido junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) para suspender os efeitos da decisão do Banco Central (BC) que rejeitou a operação de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). O documento foi apresentado em 3 de setembro de 2025, data em que o BC divulgou sua manifestação técnica contrária à transação.
O pedido foi encaminhado ao ministro Jhonatan de Jesus, relator de uma ação de fiscalização sobre possíveis falhas na supervisão do BC sobre o Banco Master. O então procurador-geral do Distrito Federal, Márcio Wanderley, sustentou que a decisão do BC surpreendeu o GDF e não foi precedida de diálogo.
Wanderley argumentou que a manutenção da rejeição poderia gerar instabilidade no sistema financeiro local e comprometer a solidez do BRB. Ele destacou que a operação era estratégica para a expansão do banco público e para a consolidação de serviços financeiros no Distrito Federal.
O ministro Jhonatan de Jesus determinou apenas o apensamento do pedido à ação principal em tramitação no TCU, sem analisar o mérito ou conceder medida liminar. A decisão deixou sem efeito prático a iniciativa do GDF de obter respaldo jurídico para contestar a posição do BC.
Dois meses após a rejeição, em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero para investigar crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, lavagem de dinheiro e corrupção envolvendo o Banco Master. A operação teve como alvo principal o empresário Daniel Vorcaro, controlador da instituição financeira. Conforme reportagem do portal Metrópoles, a Polícia Federal informou em abril de 2026 que a operação já contava com oito fases.
A cronologia revela que o GDF atuou de forma imediata e simultânea à decisão do BC, buscando instrumentos legais para viabilizar a operação. A persistência do governo distrital na tentativa de incorporação ocorreu mesmo diante de alertas regulatórios sobre a fragilidade patrimonial do Banco Master.
O Banco Central fundamentou sua rejeição em análise técnica que apontou riscos significativos à estabilidade do BRB. A análise citou exposições contábeis não transparentes, inadimplência elevada e ausência de governança adequada no Banco Master.
A Operação Compliance Zero segue em andamento com novas etapas sob sigilo judicial, mantendo foco nas estruturas societárias e fluxos financeiros do Banco Master. O caso ilustra os desafios dos órgãos de controle na conciliação entre interesses de política pública e exigências de segurança no setor bancário.
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