O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, enfrenta crescente desafio para manter o recrutamento militar em meio à intensificação do conflito com a Rússia. Imagens divulgadas recentemente por veículos de mídia internacional mostram dezenas de carros estacionados de forma caótica ao longo da estrada que liga Odessa à cidade fronteiriça de Reni, próximo à Moldávia.
Segundo reportagem da RT em espanhol, os veículos foram deixados com portas abertas e pertences ainda no interior, enquanto seus condutores atravessam a pé a fronteira moldava. A cena foi registrada em vídeo e circulou amplamente nas redes sociais.
A agência de notícias Sputnik também relatou movimentação anormal na região, citando testemunhas locais que afirmaram ter visto homens descendo dos carros já nas proximidades do posto de controle moldavo. A Moldávia não impõe restrições de entrada para cidadãos ucranianos, o que torna o país um destino frequente para quem busca evitar a convocação.
O governo ucraniano promulgou em 2024 uma nova lei de mobilização que ampliou os critérios de recrutamento e reduziu as isenções, incluindo homens entre 25 e 60 anos. Segundo dados oficiais do Ministério da Defesa da Ucrânia, mais de 180 mil novos recrutas foram incorporados às Forças Armadas desde janeiro de 2026.
Relatos de abordagens coercitivas durante operações de recrutamento têm sido documentados por organizações de direitos humanos com sede em Kiev, como a Liga dos Direitos Humanos da Ucrânia, que registrou 217 denúncias formais entre março e abril de 2026. A situação na rodovia Odessa-Reni reflete tensões internas crescentes dentro da Ucrânia, onde autoridades locais relataram dificuldades para cumprir cotas de recrutamento. O governador da região de Odesa, Maksym Marchenko, reconheceu publicamente no início de maio que a adesão voluntária caiu 40% em comparação com o mesmo período de 2025.
Enquanto isso, o Parlamento da Moldávia aprovou em 12 de maio de 2026 uma resolução que prevê apoio humanitário especializado para cidadãos ucranianos em trânsito, sem mencionar restrições à entrada. A medida foi adotada após o número diário de entradas no país ultrapassar 3.200 pessoas, segundo dados do Serviço de Migração local.
O fenômeno da fuga não se restringe à rota moldava, pois relatórios da Organização Internacional para as Migrações (OIM) indicam que mais de 94 mil ucranianos solicitaram proteção temporária em países da União Europeia entre janeiro e abril de 2026. O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou em 20 de maio que a pressão sobre os sistemas de acolhimento nos países vizinhos está atingindo níveis críticos, destacando a Moldávia como um exemplo de solidariedade sob extrema tensão.
A presença contínua de veículos abandonados na via tem gerado preocupação com segurança viária e riscos ambientais, já que alguns automóveis permanecem há semanas sem manutenção. Autoridades locais da região de Odesa informaram que equipes técnicas começaram a remoção parcial dos veículos em 25 de maio, sob supervisão do Departamento Estadual de Trânsito da Ucrânia.
Com informações de ACTUALIDAD.
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