O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, foi alvo nesta terça-feira (26) da terceira operação de busca e apreensão da Polícia Federal em sua gestão — desta vez ligada a um aporte considerado ‘temerário’ do RioPrevidência no Banco Master. A PF apreendeu oito celulares e diversos materiais eletrônicos do governador, que serão submetidos à perícia técnica. O valor envolvido é de R$ 60 bilhões — recursos dos aposentados fluminenses — transferidos para uma instituição financeira com patrimônio majoritariamente imobiliário, de baixa liquidez e alto risco.
Os fatos são confirmados: a operação ocorreu; os R$ 60 bilhões foram efetivamente aplicados; os celulares foram apreendidos; e pareceres técnicos do Tribunal de Contas do Estado e da Procuradoria Geral do Estado já haviam alertado sobre a gravidade do risco. Essa é a primeira camada do fato — incontestável, documentada e pública.
A segunda camada é investigativa: a delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, está em fase de renegociação. Ela ainda não foi homologada pela Justiça e permanece sob análise. Se aceita, poderá resultar em ressarcimento de até R$ 60 bilhões ao RioPrevidência — mas isso depende de decisão judicial futura, não de certeza atual.
A terceira camada é hipotética: a responsabilização do Banco Central por omissão na fiscalização é uma linha de investigação em curso, sem confirmação até o momento. Não há acusações formais contra diretores da autarquia, apenas indícios preliminares que motivaram a abertura de apuração interna. Da mesma forma, a conexão entre o caso Master e a gestão federal anterior — incluindo eventuais falhas regulatórias durante o governo Bolsonaro — está sob análise, mas não foi comprovada como causa direta nem atribuída a agentes específicos.
O Banco Master, embora pequeno no sistema financeiro nacional, construiu uma teia de investimentos de alto risco com fundos de pensão de múltiplos municípios e estados. Sua crise não é localizada: ameaça aposentados e pensionistas de diversas unidades da federação. Seu patrimônio, avaliado em mais de R$ 100 bilhões, é composto predominantemente por imóveis — ativos ilíquidos que dificultam qualquer ressarcimento rápido ou integral aos cofres públicos.
Cláudio Castro nega irregularidades e afirma que o investimento seguiu trâmites legais. No entanto, documentos internos do próprio estado — citados publicamente pelo Tribunal de Contas — apontavam risco elevado e recomendavam cautela. A contradição entre a defesa oficial e os pareceres técnicos ignorados alimenta as suspeitas da PF.
Além do caso Master, Castro responde a outras investigações concretas: o caso Refit, que apura sonegação de ICMS em escala industrial; e o envolvimento com a TH Joias, empresa investigada por lavagem de dinheiro e ligação com o Comando Vermelho. Nenhuma dessas frentes foi arquivada — todas avançam simultaneamente.
A ofensiva da PF atinge diretamente o projeto bolsonarista no Rio, estado estratégico para as eleições de 2026. Castro é o principal aliado local de Jair Bolsonaro e, sobretudo, de Flávio Bolsonaro — senador que já enfrentou investigações sobre rachadinhas na Assembleia Legislativa do Rio e que agora observa, sem intervir, o colapso do seu principal fiador regional.
Flávio Bolsonaro não é mero espectador: sua trajetória pessoal está marcada por denúncias de desvio de verbas públicas, e sua proximidade com Castro reforça a percepção de que o bolsonarismo fluminense opera em círculos de conivência com práticas temerárias. Não há distinção entre o governador e o senador nesse quadro — ambos são peças centrais do mesmo projeto político, cuja credibilidade se esfacela com cada novo capítulo da investigação.
Pesquisas internas do PL indicam queda contínua na intenção de voto associada a Castro. A rejeição cresce à medida que os escândalos se acumulam — e arrasta consigo toda a nominata do partido no estado. O cenário para 2026 se desenha com o bolsonarismo acuado, forçado a buscar alternativas ou a se aliar a figuras ainda mais controversas para manter competitividade.
A crise do Banco Master não é um episódio isolado. É o sintoma mais visível de um modelo político que transformou fundos de pensão em instrumentos de risco, confundiu alianças com conivência e substituiu a fiscalização por leniência. O resultado prático já aparece nas pesquisas, nos corredores da política fluminense e nas telas dos celulares apreendidos — cujos dados podem revelar muito mais do que o governador gostaria de ver tornado público.
Com informações de fonte original.
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