O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), anunciou que o partido mudou seu entendimento e decidiu apoiar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê a escala 4×3, com quatro dias de trabalho e três de descanso. A guinada surpreendeu o cenário político, já que a legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro sempre atuou contra a ampliação de direitos e votou sistematicamente pela flexibilização das leis do trabalho.
A PEC original em debate na Câmara propõe a jornada 4×3, mas um acordo entre o presidente da comissão, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva articula um texto substitutivo mais moderado, com a escala 5×2. Segundo reportagem da Carta Capital, Motta afirmou haver consenso sobre os pontos do texto alternativo que será apresentado pelo relator, deputado Léo Prates (Republicanos-BA).
Nos bastidores, o Palácio do Planalto interpreta a manobra do PL como uma tentativa de criar embaraços para o governo e dominar o debate sobre a redução da jornada. A tática bolsonarista visa forçar a base aliada a rejeitar uma proposta mais benéfica, arriscando um desgaste político com os eleitores e a classe trabalhadora.
A Câmara dos Deputados espera votar o parecer da comissão especial ainda nesta semana, para que o texto possa seguir ao plenário e, posteriormente, ao Senado. Em suas redes sociais, o líder do PL declarou que ‘o trabalhador brasileiro merece mais dignidade’ e desafiou os partidos governistas a provarem sua defesa dos trabalhadores no momento da votação.
A provocação coloca o governo e seus aliados em uma encruzilhada: manter o acordo pela escala 5×2 ou apoiar a proposta mais audaciosa do PL, arriscando inviabilizar a aprovação de qualquer mudança. A súbita defesa dos trabalhadores pelo partido contrasta com seu histórico, que inclui o apoio à reforma trabalhista e a medidas de precarização durante a gestão de Bolsonaro.
O relator Léo Prates trabalha para finalizar seu parecer com base no acordo do governo, defendendo a jornada 5×2 como o texto a ser votado. Apesar da investida do PL, o Planalto confia na articulação de Hugo Motta e na lealdade de sua base para aprovar a proposta negociada, superando o que consideram uma tática para tumultuar a pauta legislativa.
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