Lula abre 7 pontos no primeiro turno e caso Dark Horse acelera queda de Flávio Bolsonaro

Reprodução ABr/ Agência Senado

A nova pesquisa Meio/Ideia mostra que Lula ampliou a vantagem sobre Flávio Bolsonaro nos dois turnos e consolidou uma sequência ruim para o principal nome do bolsonarismo em 2026.

No cenário estimulado de primeiro turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece com 38,5% das intenções de voto, contra 31,5% de Flávio Bolsonaro. A diferença é de 7 pontos percentuais, em um momento em que o senador do PL tenta conter o desgaste provocado pelo caso Dark Horse e pela relação com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

A comparação com a rodada anterior mostra o tamanho do problema para Flávio. Em 6 de maio, Lula tinha 40% e o senador aparecia com 36%. Agora, Lula oscilou para 38,5%, enquanto Flávio caiu para 31,5%. Ou seja, o presidente recuou pouco, mas o bolsonarista perdeu 4,5 pontos no primeiro turno.

Atrás dos dois principais nomes, Ronaldo Caiado aparece com 5,5%, seguido por Romeu Zema, com 2,4%, e Renan Santos, com 2,1%. Outros candidatos somam 4,4%. Brancos e nulos são 5,1%, enquanto 10,5% estão indecisos ou não souberam responder.

O segundo turno também ficou mais favorável a Lula. O presidente aparece com 46,5%, contra 41,4% de Flávio Bolsonaro. A vantagem é de 5,1 pontos percentuais. Na rodada anterior do Meio/Ideia, Flávio estava numericamente à frente, com 45,3%, contra 44,7% de Lula, em empate técnico.

O movimento é claro: Lula cresceu 1,2 ponto no segundo turno, enquanto Flávio caiu 3,9 pontos em relação aos 45,3% registrados no levantamento anterior divulgado pela CNN Brasil.

A pesquisa também mostra Lula liderando contra todos os outros nomes testados em segundo turno. Contra Joaquim Barbosa, o petista marca 46% a 26%. Contra Renan Santos, vence por 46% a 31%. Diante de Romeu Zema, registra 46% a 37%. Contra Ronaldo Caiado, aparece com 46% a 40%.

O levantamento ainda testa cenários contra Aécio Neves, em que Lula vence por 46% a 25%, e contra Tereza Cristina, com placar de 46% a 27%. Contra Michelle Bolsonaro, o presidente também lidera: 46% a 40%.

O dado mais relevante, porém, está na curva de Flávio. O senador perdeu força justamente depois da repercussão das revelações sobre o filme Dark Horse, produção sobre Jair Bolsonaro financiada, segundo reportagens, por Daniel Vorcaro. A Reuters registrou que Flávio perdeu terreno nas pesquisas após admitir que pediu dinheiro a um banqueiro preso para financiar o filme, embora negue qualquer irregularidade.

A sequência de pesquisas confirma essa tendência. O Datafolha já havia mostrado Lula à frente de Flávio por 47% a 43% em um eventual segundo turno, depois de uma rodada anterior em que os dois apareciam empatados. A Reuters associou a mudança ao impacto das reportagens que ligaram Flávio ao escândalo do Banco Master.

O caso atinge o senador em um ponto sensível: confiança. Flávio tentava se apresentar como herdeiro eleitoral natural do bolsonarismo, mas passou a gastar energia explicando áudios, valores milionários, encontro com Vorcaro e contradições sobre o financiamento do filme.

A viagem aos Estados Unidos também não eliminou o desgaste. Segundo a Reuters, Flávio se reuniu com Donald Trump, JD Vance e Marco Rubio, mas fez isso em meio à crise política provocada pela admissão de que buscou recursos com o banqueiro investigado.

Para Lula, a pesquisa Meio/Ideia reforça uma mudança de ambiente. O presidente não apenas lidera no primeiro turno, como passou a abrir vantagem mais clara no segundo. Além disso, aparece competitivo contra todos os nomes da direita testados.

Para o PL, o sinal é preocupante. Flávio continua sendo o nome mais forte do bolsonarismo, mas deixou de parecer uma candidatura em ascensão. O que antes era empate ou vantagem numérica virou queda em sequência.

A direita agora enfrenta um dilema: manter Flávio e carregar o peso do caso Dark Horse, ou começar a discutir alternativas como Michelle Bolsonaro, Caiado ou Zema. O problema é que nenhum desses nomes, segundo o Meio/Ideia, supera Lula no segundo turno.

A pesquisa ouviu 1.500 pessoas com 16 anos ou mais em todo o Brasil. A rodada anterior, divulgada pela CNN, também tinha 1.500 entrevistas, margem de erro de 2,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

O recado político é direto: Lula ampliou vantagem, Flávio perdeu tração e o escândalo envolvendo Vorcaro já aparece como variável concreta na disputa presidencial. Em uma eleição polarizada, a queda de um candidato não precisa ser definitiva para ser perigosa. Basta mudar a percepção de viabilidade.

E é exatamente isso que a pesquisa Meio/Ideia sugere: Flávio Bolsonaro ainda está no jogo, mas deixou de comandar a narrativa. Lula, por outro lado, chega ao fim de maio mais forte, com vantagem nos dois turnos e com a direita pressionada a decidir se insiste em um candidato atingido antes mesmo da campanha começar.

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