Um satélite da NASA em parceria com o Centro Nacional de Estudos Espaciais da França registrou as maiores ondas oceânicas já observadas do espaço em mar aberto. As ondas atingiram altura média de 19,7 metros durante a tempestade Eddie, no Oceano Pacífico Norte.
O registro foi feito pelo satélite SWOT, equipamento projetado para mapear rios, lagos e oceanos com precisão inédita. O SWOT gera imagens bidimensionais da água, permitindo medir altura, direção, comprimento e comportamento das ondas durante tempestades violentas.
Diferente de satélites antigos, que analisavam apenas faixas estreitas do oceano, o SWOT oferece visão abrangente e detalhada. O estudo foi publicado no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America e liderado pelo oceanógrafo Fabrice Ardhuin, conforme reportagem do Olhar Digital.
A altura de 19,7 metros representa a média das maiores formações registradas durante a tempestade. Este método é padrão para avaliar a intensidade do mar em situações extremas e desconsidera picos momentâneos que podem ter ultrapassado 30 metros.
A tempestade Eddie, classificada como ciclone extratropical intenso, permitiu ao SWOT cruzar sua região mais violenta. Satélites mais antigos raramente conseguiam registrar ondas tão altas com precisão desde os anos 1990.
Além das ondas gigantes, o sistema provocou ressacas e danos em áreas costeiras entre o Canadá e o Peru. As ondulações se propagaram por cerca de 24 mil quilômetros, atravessando o Pacífico, a Passagem de Drake e alcançando o Atlântico Tropical semanas depois.
A Agência Espacial Europeia destaca que os marulhos funcionam como mensageiros das tempestades. Mesmo quando o sistema climático não atinge diretamente o continente, a energia das ondas pode provocar impactos em regiões distantes.
Os dados do SWOT ajudaram a revisar modelos matemáticos usados para calcular a energia transportada pelas ondas. Algumas estimativas antigas apontavam valores superiores aos observados pelo satélite, permitindo simulações mais precisas.
Pesquisadores buscam melhorar previsões marítimas para aumentar a segurança de embarcações, plataformas de petróleo e estruturas em alto-mar. Ainda não há resposta definitiva sobre a relação entre eventos como a tempestade Eddie e as mudanças climáticas.
Fatores naturais como correntes marítimas, relevo submarino e direção dos ventos também influenciam a formação de ondas gigantes. O registro do SWOT evidencia que os oceanos ainda guardam fenômenos pouco conhecidos pela ciência.
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