Três superpetroleiros totalmente carregados — incluindo dois navios chineses — cruzaram o Estreito de Ormuz na quarta-feira, em um possível sinal de que Teerã pode estar começando a abrir a via marítima vital para mais tráfego de embarcações.
A saída dos três transportadores de petróleo de grande porte ocorreu no mesmo dia em que o Irã confirmou ter permitido que 26 navios transitassem pelo estreito — um aumento considerável em comparação com o nível de tráfego que as forças iranianas geralmente permitiram desde o início da guerra.
Os movimentos pareceram sinalizar um abrandamento da crise no Estreito de Ormuz, que viu os trânsitos diários despencarem para cerca de 10 em média nas últimas semanas — queda em relação a mais de 100 antes do conflito eclodir, segundo dados de rastreamento de embarcações.
Mas analistas alertaram que era cedo demais para dizer se os últimos anúncios eram um caso isolado ou o início de uma tendência mais ampla.
Os três superpetroleiros transportavam um total combinado de 6 milhões de barris de petróleo para fora do Golfo Pérsico, segundo dados da base de dados de navegação myvessel.cn. Eles provavelmente foram autorizados a sair sem pagar uma taxa ao Irã, segundo fontes da indústria e uma declaração governamental.
Os navios chineses envolvidos são o Yuan Gui Yang, de propriedade da estatal Cosco Shipping Energy Transportation, e o Ocean Lily, que é uma embarcação com bandeira de Hong Kong pertencente a uma empresa gerida por uma subsidiária da gigante energética chinesa Sinochem Corporation.
O Yuan Gui Yang está programado para chegar ao porto de Shuidong na província de Guangdong, no sul da China, em 4 de junho, enquanto o Ocean Lily deve chegar ao porto de Meizhouwan na província de Fujian, no sudeste, em 7 de junho.
Fontes da indústria disseram ao South China Morning Post que o Irã estava permitindo que navios chineses — especialmente aqueles que ficaram presos por meses — saíssem do estreito sem pagar uma taxa. Mas elas enfatizaram que esta não era uma política geral e que Teerã ainda estava concedendo permissão para que os navios partissem caso a caso.
O terceiro superpetroleiro a partir na quarta-feira foi o Universal Winner, com bandeira sul-coreana, que deve atracar em Ulsan em 9 de junho. O ministério das relações exteriores da Coreia do Sul confirmou o trânsito, enfatizando que nenhuma taxa de trânsito havia sido paga ao Irã.
Enquanto isso, o Corpo de Guardiães da Revolução Islâmica confirmou na quarta-feira que 26 embarcações — incluindo petroleiros e navios porta-contêineres — haviam cruzado o Estreito de Ormuz sob sua coordenação e proteção.
As embarcações viajaram apenas após receber permissão, enfatizou o Corpo de Guardiães em uma declaração publicada pela Agência de Notícias da República Islâmica.
Analistas ainda estão incertos sobre como interpretar as travessias. Segundo Ralph Leszczynski, chefe de pesquisa do grupo de corretagem e serviços de navegação Banchero Costa, alguns petroleiros cruzaram em semanas anteriores, então o estreito nunca esteve 100 por cento fechado.
Leszczynski observou que duas ou três travessias de grandes petroleiros não significam nada por si mesmas, sendo necessário esperar para ver se este é o início de uma nova tendência.
Fonte: SCMP