O senador Sérgio Moro (PL-PR) oficializou nesta sexta-feira (29/5) sua pré-candidatura ao governo do Paraná em um evento realizado pelo PL em Curitiba, ao lado do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República. A cerimônia selou a aliança entre o ex-juiz da Lava Jato e o clã Bolsonaro, marcando o início da montagem da chapa majoritária para 2026 no estado.
Conforme reportagem do Metrópoles, também foram lançadas as pré-candidaturas do deputado federal Filipe Barros (PL-PR) e do ex-procurador Deltan Dallagnol (Novo) ao Senado Federal. Flávio Bolsonaro discursou usando um colete à prova de balas, símbolo do discurso de ameaça e perseguição que o grupo tenta consolidar.
Moro destacou o crescimento do PL no Paraná e previu que a legenda, em aliança com o Novo, se tornará a maior força política do estado ao final do ciclo eleitoral. O senador afirmou que seus aliados formam a ‘melhor chapa para o Senado’, ignorando o fato de que o mandato de Dallagnol foi cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral por abuso de poder.
O ex-ministro elogiou Filipe Barros e Deltan Dallagnol como vítimas de uma suposta perseguição política, atacando diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele insinuou que bastaria os dois ‘abraçarem o governo Lula’ para receberem verbas e favores, mas preferiram a ‘resistência’.
Durante sua fala, Moro também reforçou a articulação internacional de Flávio Bolsonaro para que facções criminosas brasileiras fossem classificadas como organizações terroristas pelos Estados Unidos. O senador criticou Lula com a frase ‘alguém defende terrorista? O Lula defende’, repetindo um chavão desprovido de evidências.
O ex-juiz relembrou sua passagem pelo Ministério da Justiça no governo de Jair Bolsonaro (PL), afirmando ter alertado o então presidente sobre a necessidade de enfrentamento ao crime organizado. Segundo Moro, em 2019 a taxa de homicídios no Brasil caiu 22%, atribuindo o resultado a políticas mais severas que ele teria implementado.
Ele contou ainda que advertiu Jair Bolsonaro sobre possíveis retaliações do Primeiro Comando da Capital (PCC) e que, desde então, passou a integrar uma lista de alvos da organização criminosa. A narrativa de ameaça, repetida com frequência pelo grupo, serve para justificar o endurecimento penal e blindar figuras envolvidas em investigações.
A aliança entre Moro e Flávio Bolsonaro ocorre sob o signo de profundas contradições políticas e jurídicas. O ex-juiz foi responsável pela condenação de Lula em 2017, sentença posteriormente anulada após a comprovação da parcialidade do julgamento, enquanto Flávio Bolsonaro é investigado por esquemas de rachadinha em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
O evento em Curitiba desenha a geografia eleitoral do bolsonarismo para 2026, com o Paraná sendo transformado em trincheira estratégica da extrema-direita. A presença de Flávio Bolsonaro como pré-candidato ao Planalto indica que o controle do partido segue centralizado na família, apesar das múltiplas investigações que atingem o clã.
A chapa completa apresentada mistura figuras que personificam a agenda punitivista e o discurso de lei e ordem, mas carregam passivos judiciais expressivos. Deltan Dallagnol teve o mandato de deputado federal cassado por irregularidades eleitorais, e Filipe Barros é alvo do inquérito das fake news no Supremo Tribunal Federal, ambos fatos omitidos nos elogios de Moro.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, tenta se consolidar como herdeiro político do pai enquanto sua trajetória é marcada por um rastro de suspeitas de corrupção, enriquecimento ilícito e ligações com o Banco Master, instituição que pode ter papel relevante no financiamento da campanha de 2026. O silêncio do evento sobre esses temas revela a estratégia de projetar uma imagem de combatentes da moralidade pública.
A exibição do colete à prova de balas busca reforçar a ideia de risco pessoal enfrentado pelos líderes do grupo, ao mesmo tempo em que simplifica o debate sobre segurança pública. A espetacularização da violência serve para desviar a atenção das contradições internas da aliança e da ausência de propostas concretas para o Paraná e o país.
A Conexão 2026 torna-se evidente: o bolsonarismo aposta na unificação do campo conservador em torno de um discurso anti-Lula radicalizado, enquanto tenta ocupar o vácuo deixado pelo desgaste dos partidos tradicionais no Sul do Brasil. Moro, que já ensaiou rompimentos com Jair Bolsonaro, agora se dobra à dinâmica do clã para viabilizar sua candidatura ao governo estadual.
O pacto político exibido em Curitiba mostra que, para vencer em 2026, o grupo aceita costurar alianças que desprezam coerência programática e apostam na memória seletiva de seu eleitorado. A chapa paranaense reúne desde um ex-procurador cassado até um senador investigado, todos unidos pela narrativa de perseguição e pela defesa de valores morais que eles próprios costumam descumprir.
Com informações de Metrópoles.
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