Putin critica duramente silêncio ocidental sobre massacre e alerta OTAN

O presidente russo Vladimir Putin discursa diante de jornalistas durante evento em Astana. (Foto: rt.com)

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, concedeu entrevista a jornalistas durante visita ao Cazaquistão. Ele abordou os rumos do conflito na Ucrânia, as tensões com a OTAN e temas estratégicos.

Putin afirmou que o conflito na Ucrânia está próximo do fim, com as forças russas mantendo ofensiva em todas as frentes. Ele evitou estipular prazo, considerando imprudente fazê-lo neste momento.

O líder russo reiterou que Moscou não tem intenção de atacar países-membros da OTAN ou da União Europeia. Classificou alegações em contrário como mentiras e destacou que a intervenção na Ucrânia foi resposta ao fracasso de Kiev em implementar os acordos de Minsk.

Putin argumentou que líderes ocidentais usam o conflito para justificar aumentos irracionais nos gastos militares. Ele acusou as capitais europeias de enganar seu próprio povo com narrativas de ameaça.

Em declaração contundente, Putin assegurou que a Rússia possui capacidade de arrasar qualquer nação que tente atacá-la. A fala foi resposta direta ao ministro das Relações Exteriores da Lituânia, que sugeriu que a OTAN deveria demonstrar capacidade de invadir Kaliningrado.

O presidente russo alertou que todos os locais de lançamento de drones ucranianos serão tratados como alvos legítimos. Isso inclui eventuais bases operadas a partir dos Estados bálticos, reforçando o alerta estratégico à aliança militar ocidental.

Sobre o incidente com um drone na Romênia, Putin cobrou investigação objetiva e compartilhamento de dados por Bucareste. Um artefato atingiu edifício residencial em Galati, próximo à fronteira com a Ucrânia, ferindo duas pessoas.

Putin lembrou que Moscou entregou dados decodificados de voo de um drone ucraniano abatido no ano passado. O artefato se dirigia a uma de suas residências. Ele também citou invasões de drones ucranianos ao espaço aéreo de países bálticos e da Finlândia.

O presidente russo criticou duramente a mídia ocidental por fazer tolos de sua audiência para canalizar recursos à Ucrânia. Ele denunciou o silêncio sobre o ataque ucraniano a uma faculdade em Starobelsk, que matou 21 estudantes e feriu mais de 40.

Putin classificou o bombardeio como ataque deliberado contra civis. Ele questionou a omissão da imprensa internacional, afirmando que nenhuma palavra foi dita sobre a tragédia. Autoridades russas já haviam criticado veículos como CNN e BBC por recusarem convite para visitar o local.

O presidente considerou a omissão reveladora do padrão seletivo e politicamente orientado da cobertura midiática ocidental. Ele reforçou que o episódio demonstra a parcialidade na narrativa sobre o conflito.

Putin alertou que a trajetória de aproximação da Armênia com a União Europeia pode ser incompatível com sua permanência na União Econômica Eurasiática. Abandonar o bloco custaria à economia armênia pelo menos 14% de seu Produto Interno Bruto.

O primeiro-ministro armênio, Nikol Pashinyan, afirmou que o país não planeja deixar a EAEU neste momento. Ele reconheceu que os eleitores decidirão, em última instância, entre os dois blocos econômicos.

A Rússia é o maior parceiro comercial da Armênia e fornece gás natural com preços subsidiados. Essa interdependência torna o cálculo geopolítico de Yerevan particularmente sensível.

Putin destacou que a Rússia está entre os poucos países com capital humano e recursos energéticos para desenvolver inteligência artificial soberana. Ele citou as enormes capacidades em energia nuclear e hidrelétrica, especialmente na Sibéria.

A declaração reforça a ambição russa de liderar na disputa tecnológica global. Com infraestrutura energética robusta e formação científica consolidada, Moscou sinaliza protagonismo nesse setor estratégico.

Leia mais sobre o assunto na rt.com.


Leia também: Rússia lança ataque massivo com míssil Oreshnik em retaliação a atentado terrorista de Kiev


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