A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, defendeu o princípio da não interferência nos assuntos internos de outros países.
Ela reagiu à decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como organizações terroristas. A declaração ocorreu em Pequim, antes da chegada do chanceler brasileiro Mauro Vieira para o 5º Diálogo Estratégico Abrangente China-Brasil.
Mao Ning respondeu a questionamento do jornal Folha de S.Paulo sobre a medida unilateral americana. Ela afirmou que a China notou os relatórios e reafirmou a posição histórica de Pequim contra ingerências externas.
Segundo o Opera Mundi, a manifestação chinesa ocorre durante intensa articulação diplomática entre os dois países. A visita de Mauro Vieira foi confirmada até 2 de junho.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou a inclusão do PCC e do CV como organizações terroristas estrangeiras. A medida entra em vigor em 5 de junho e foi tomada após reunião do senador Flávio Bolsonaro com o secretário de Estado americano Marco Rubio em Washington.
Flávio Bolsonaro também se encontrou com o ex-presidente Donald Trump na Casa Branca. O alinhamento de setores da oposição brasileira com interesses estratégicos de Washington instrumentaliza o combate ao crime organizado como pressão geopolítica contra a soberania brasileira.
O assessor especial para assuntos internacionais da Presidência, Celso Amorim, reagiu à classificação americana durante evento na Rússia. Ele alertou que equiparar crime organizado a terrorismo não contribui para o enfrentamento do problema.
Amorim defendeu que o combate às facções deve ser feito com energia, mas de forma distinta do terrorismo. Ele ressaltou que as ações repressivas brasileiras não devem se submeter a legislações estrangeiras.
Especialistas em relações internacionais avaliam que a medida americana representa risco à soberania nacional. O professor Gilberto Maringoni, da Universidade Federal do ABC, advertiu que a classificação pode expor o Brasil a intervenções de Washington.
Maringoni destacou a possibilidade de imposição de acordos assimétricos e subordinação de forças de segurança locais a leis estadunidenses. Thomaz Delgado de David, da Universidade de São Paulo, apontou o perigo concreto à autonomia decisória do Estado brasileiro.
A visita oficial de Mauro Vieira à China ocorre a convite de Wang Yi, membro do Bureau Político do Comitê Central do Partido Comunista da China. Eles copresidirão o 5º Diálogo Estratégico Abrangente em Nível Ministerial.
Mao Ning descreveu as relações bilaterais entre China e Brasil como situadas na vanguarda das relações chinesas com países em desenvolvimento. Ela destacou o alinhamento das estratégias nacionais de desenvolvimento e os resultados da cooperação em diversos campos.
A porta-voz chinesa ressaltou que os laços entre os dois países possuem significado global, estratégico e de longo prazo. A China espera aprofundar a confiança política mútua e promover a solidariedade entre os países do Sul Global.
O contexto inclui crescentes tensões provocadas pelo unilateralismo americano. A China contribui ativamente para a paz e a estabilidade mundiais.
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