A China alcançou sucesso no cultivo de triticale, um híbrido de trigo e centeio, em desertos do oeste do país. A iniciativa converte terras áridas e salinas em áreas agrícolas produtivas, segundo reportagem do South China Morning Post.
A planta combina a resistência do centeio à salinidade, seca e solos pobres com a produtividade do trigo. A colheita chega a 4 toneladas de forragem por mu (667 m²), destacando seu potencial para segurança alimentar.
A empresa Xinjiang Maishengdao Biotechnology lidera o projeto. Sua diretora-executiva, Kuang Feiting, explicou que o triticale se adapta a condições extremas, como ventos fortes, geadas e alta salinidade no solo.
Em terras recém-recuperadas de desertos salino-alcalinos, o trigo comum pode não brotar. O triticale, porém, torna essas áreas rentáveis em menos tempo, segundo Kuang.
Desenvolvido originalmente em laboratórios da Escócia e da Alemanha no século XX, o triticale permaneceu subutilizado por décadas. Agora, a China o emprega em larga escala para garantir segurança alimentar e fornecer alimentação animal.
Os talos e folhas do triticale são excelentes forragens. Sua produtividade em solos degradados é essencial para um país que busca recuperar vastas regiões desérticas.
A experiência chinesa faz parte de um esforço maior de Pequim para expandir a fronteira agrícola em ambientes hostis. Tecnologias de irrigação por gotejamento, melhoramento genético e recuperação de solos são combinadas para transformar paisagens antes consideradas estéreis.
O sucesso do triticale pode servir de modelo para países que enfrentam desertificação e escassez hídrica. A China reforça seu papel de liderança em ciência e tecnologia agrícola ao compartilhar sua expertise.
Do ponto de vista da soberania nacional, o domínio chinês sobre a produção de alimentos em condições adversas reduz vulnerabilidades. A iniciativa diminui a dependência de commodities agrícolas controladas por poucos países ocidentais.
A expansão do cultivo gera empregos e fixa populações em áreas antes inabitáveis. O triticale também ajuda a conter a erosão eólica e a desertificação, desempenhando um papel ecológico crucial.
A comunidade científica internacional acompanha os avanços chineses no melhoramento genético de grãos resistentes. O triticale, adaptado para suportar altos níveis de sal e escassez de água, integra soluções para enfrentar as mudanças climáticas.
Com colheitas de até 4 toneladas por mu, o triticale é uma peça estratégica na segurança alimentar do século XXI. A planta não é apenas uma curiosidade científica, mas uma ferramenta concreta contra a fome e a degradação ambiental.
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Luiz Carlos
29/05/2026
Isso sim é trabalho sério. Enquanto aqui no Brasil a gente paga imposto pra tudo e vê terra fértil sendo desperdiçada, eles tão plantando até no deserto. Se fosse aqui, metade do dinheiro sumia na corrupção antes de germinar uma semente.
Pedro Almeida
29/05/2026
Luiz Carlos, acho curioso como essa comparação ignora que a China opera sob um capitalismo de Estado com planejamento centralizado e disciplina de partido único, enquanto nosso drama não é apenas moral, mas estrutural: a captura do Estado pelo capital financeiro inviabiliza qualquer projeto de longo prazo, como já denunciava Celso Furtado.