Milhões de toneladas de resíduos plásticos contaminam os oceanos anualmente, afetando desde a superfície até as fossas mais remotas. Pesquisadores da Universidade de Rochester desenvolveram adesivos biológicos com bactérias vivas para acelerar a decomposição de bioplásticos em ambientes marinhos.
Os bio-stickers representam avanço significativo no combate à poluição plástica, um dos maiores desafios ambientais atuais. Descritos em artigo na revista ACS Applied Polymer Materials, os adesivos oferecem método controlável e reutilizável para eliminar plásticos que permaneceriam nos oceanos por décadas.
A pesquisa foi liderada por Anne S. Meyer, professora do Departamento de Biologia da Universidade de Rochester. Segundo Meyer, o projeto demonstra que materiais vivos podem ajudar a eliminar plásticos em ambientes marinhos, tornando os bioplásticos mais práticos e ambientalmente responsáveis.
A iniciativa envolve colaboração com a microbióloga marinha Alyson Santoro, da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, e outros especialistas. O projeto conta com parceria da indústria Mango Materials e fabricantes de equipamentos oceanográficos.
Os adesivos são fabricados com bactérias tolerantes ao sal, suspensas em material semelhante a gel. Podem ser aplicados diretamente sobre bioplásticos à base de polihidroxibutirato (PHB), poliéster naturalmente produzido por bactérias.
A equipe utilizou bioimpressão 3D para criar os adesivos vivos. Essa técnica incorpora bactérias degradadoras de PHB diretamente nos materiais, mantendo os microrganismos ativos por pelo menos três semanas após a aplicação.
Os bio-stickers são reutilizáveis e sua taxa de degradação pode ser ajustada. Fatores como concentração bacteriana ou temperatura ambiente permitem adaptar o material a diferentes necessidades, desde dispositivos que se degradam em um dia até aqueles que duram um ano.
A start-up Nereid Biomaterials, fundada por Meyer e colaboradores, busca disponibilizar plásticos degradáveis para aplicações marinhas. A empresa firmou compromissos com fabricantes de equipamentos oceanográficos para substituir plásticos petroquímicos pelos novos materiais.
Instrumentos oceanográficos descartáveis representam fonte crescente de poluição plástica. A nova tecnologia permitirá que oceanógrafos monitorem os mares sem deixar resíduos que ameacem os ecossistemas estudados.
Testes em diferentes condições oceânicas demonstraram o desempenho dos bioplásticos e a eficácia do processo de degradação. Após sucesso nos instrumentos oceanográficos, os pesquisadores planejam expandir as aplicações para aquicultura, pesca e defesa marítima.
A inovação abre caminho para materiais vivos projetados que oferecem alternativas sustentáveis aos plásticos tradicionais. Representa passo concreto rumo a oceanos mais limpos e uma economia que concilia durabilidade com responsabilidade ambiental.
Leia mais sobre o assunto na phys.org.
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