Uma equipe internacional de astrônomos obteve a primeira evidência concreta de que estrelas anãs vermelhas podem devorar os planetas que as orbitam. Esses astros, menores e mais frios que o Sol, representam 75% das estrelas da Via Láctea.
Os pesquisadores identificaram teor anormalmente elevado de lítio na atmosfera de seis anãs vermelhas em três aglomerados estelares distintos. Segundo reportagem do portal Space.com, a presença desse elemento químico nessas estrelas é extraordinária, pois o processo de convecção e fusão nuclear deveria ter consumido todo o lítio original.
A adição de lítio proveniente de sistemas planetários em formação é facilmente detectável. Robin Jeffries, líder da equipe da Universidade de Keele, no Reino Unido, explicou que a detecção funciona como jogar tinta em uma tela completamente em branco.
A equipe calculou que as seis anãs vermelhas analisadas podem ter engolido o equivalente a três a dez massas terrestres em matéria planetária. Esse processo destrutivo teria injetado o lítio remanescente dos planetas nas camadas atmosféricas das estrelas hospedeiras.
A descoberta preocupa para a compreensão da evolução planetária na galáxia. Se a maioria das estrelas da Via Láctea possui esse comportamento canibal, a destruição de sistemas planetários inteiros pode ser um fenômeno comum no universo.
O estudo, publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, abre caminho para investigações sobre os estágios críticos em que as anãs vermelhas consomem seus mundos. Compreender esse ciclo pode fornecer uma imagem mais nítida sobre os primeiros capítulos da vida dos sistemas estelares.
Os dados do levantamento Gaia-ESO foram fundamentais para isolar a assinatura química reveladora nas anãs vermelhas. A sensibilidade dos instrumentos permitiu distinguir variações sutis na composição atmosférica que telescópios anteriores não detectariam.
Leia mais sobre o assunto na space.com.
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