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França aciona justiça para investigar abusos de Israel contra ativistas em alto-mar

0 Comentários🗣️🔥 Detidos durante operação militar em flotilha de ajuda, segundo relatos. (Foto: aljazeera.com) O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noel Barrot, determinou que a promotoria pública investigue criminalmente o tratamento dispensado por forças israelenses a cidadãos franceses presos durante a abordagem militar à Flotilha Global Sumud. A decisão representa uma escalada na tensão […]

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Detidos durante operação militar em flotilha de ajuda, segundo relatos. (Foto: aljazeera.com)

O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noel Barrot, determinou que a promotoria pública investigue criminalmente o tratamento dispensado por forças israelenses a cidadãos franceses presos durante a abordagem militar à Flotilha Global Sumud.

A decisão representa uma escalada na tensão diplomática entre os dois países. A investigação se baseia em relatos de violência sexual, espancamentos e humilhação sofridos pelos ativistas detidos em águas internacionais, segundo o portal Al Jazeera.

Barrot afirmou ter instruído os procuradores com base em um relatório do cônsul-geral da França na Turquia, que documentou exposição ao frio e agressões físicas contra os 37 franceses na missão humanitária. “Todos esses atos são suscetíveis de constituir infrações penais”, declarou o chanceler, justificando o encaminhamento do caso à Justiça.

A medida amplia a ofensiva diplomática que já havia resultado na proibição de entrada do ministro israelense Itamar Ben-Gvir em território francês na semana anterior. A proibição a Ben-Gvir foi motivada por um vídeo em que o político de extrema-direita aparece debochando de ativistas amarrados e vendados no chão.

Mais de 50 embarcações com cidadãos de cerca de 40 nacionalidades zarparam do porto turco de Marmaris para romper o cerco israelense a Gaza. A Organização das Nações Unidas classifica o bloqueio como uma forma ilegal de punição coletiva.

Israel interceptou os navios, prendeu todos os ocupantes e os manteve em condições descritas como extremamente violentas e desumanizantes antes de deportá-los. A ação desencadeou uma onda de denúncias que agora alcança o sistema judicial de uma potência europeia.

A ativista francesa Meriem Hadjal, de 38 anos, relatou ter sido apalpada por soldados israelenses e temido ser estuprada ao ser forçada a entrar em um contêiner escuro. Ela acabou esbofeteada na cabeça.

Outro cidadão francês, Adrien Jouan, exibiu hematomas nas costas e denunciou ter sido espancado sob custódia. Ele sugeriu que detentos não-brancos receberam tratamento ainda mais severo do que os ativistas brancos.

Uma equipe de advogados dos ativistas franceses anunciou a intenção de apresentar uma queixa independente por estupro, tortura e humilhação. A organizadora da Flotilha Global Sumud documentou pelo menos 15 casos de abuso sexual entre os mais de 400 presos na operação militar israelense.

Suhad Bishara, diretora jurídica da Adalah, centro legal de defesa dos direitos palestinos, classificou o episódio como o caso mais grave de maus-tratos documentado nos últimos dez anos. Ela alertou que a ausência de responsabilização encorajará Israel a seguir usando violência contra ativistas.

Os ativistas franceses, contudo, recusaram-se a reunir-se com representantes do governo Macron para discutir suas experiências. Eles acusam oficialmente a França de apoiar materialmente a guerra de Israel contra a população de Gaza.


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