A taxa de perdas russas na guerra da Ucrânia quase triplicou nos primeiros cinco meses de 2026 em comparação ao mesmo período de 2025, segundo dados compilados por agências de inteligência e think tanks ocidentais.
As forças da Rússia ainda acumulam saldo territorial positivo e seguem infligindo desgaste crescente às linhas ucranianas.
Uma reportagem do portal Al Jazeera sistematizou avaliações do Pentágono e do Instituto para o Estudo da Guerra, com sede em Washington.
O documento da Agência de Inteligência de Defesa dos EUA enviado ao Congresso em 18 de maio indica que a Ucrânia recuperou cerca de 400 quilômetros quadrados em torno de Dnipropetrovsk, o maior ganho ucraniano desde o fim de 2022.
O ISW calculou que a Rússia obteve um avanço líquido de 104 quilômetros quadrados entre 1º de janeiro e 26 de maio de 2026, ritmo drasticamente menor que os 1.619 quilômetros quadrados conquistados no mesmo intervalo de 2025.
Outros 628 quilômetros quadrados continuam sendo disputados, sem controle consolidado.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, afirmou que as baixas russas em 2026 já somam 145 mil militares, com 86 mil mortos e 59 mil gravemente feridos.
Kiev registra cada morte confirmada com vídeo de drone, embora nenhum dos lados permita verificação independente dos números.
O ministro da Transformação Digital da Ucrânia, Mykhailo Fedorov, detalhou que a razão de perdas chega a 179 soldados russos por quilômetro quadrado de avanço, contra apenas 67 no ano anterior.
Essa proporção, segundo Kiev, supera a atual capacidade russa de reposição por recrutamento.
A guerra também pressiona Moscou economicamente de forma inédita. A Rússia já ultrapassou toda a meta de déficit orçamentário para 2026 ainda em abril e passou a vender reservas de ouro em ritmo sem precedentes.
O Banco Central russo vendeu 27,9 toneladas do metal neste ano, equivalentes a mais de 4 bilhões de dólares, reduzindo o estoque ao menor nível desde o início da operação militar especial em fevereiro de 2022.
No campo tático, o DIA atribuiu a retomada ucraniana de território à interrupção do acesso russo aos satélites Starlink, usados para direcionamento de fogos de contrabateria.
A Ucrânia aposta em uma estratégia de lockdown logístico para atacar a retaguarda operacional russa com drones de médio alcance e artilharia, impedindo a chegada de reforços e equipamentos à linha de frente.
A crescente eficácia desses ataques levou o governador da ocupação de Kherson, Vladimir Saldo, a restringir a circulação na rodovia M-14, que conecta Mariupol, Berdyansk e Melitopol, em 21 de maio.
Simultaneamente, a Suécia anunciou em 28 de maio a doação de 16 caças Gripen a Kiev, além da venda de outras 20 aeronaves com financiamento da União Europeia, em um pacote de 2,9 bilhões de dólares.
A Ucrânia intensificou os ataques de longo alcance contra a infraestrutura energética russa. Em 23 de maio, um depósito de petróleo e um terminal de embarque em Novorossiysk foram atingidos e causaram incêndios, inclusive em um navio-tanque.
No dia seguinte, o terminal de Tamanneftegaz, também no mar Negro, foi alvo de novo golpe, enquanto a usina química Metafrax, em Perm, e a base aérea de Taganrog, em Rostov, sofreram ataques.
Moscou respondeu com uma sequência de assaltos massivos contra Kiev, empregando 600 drones de longo alcance e 90 mísseis, incluindo 36 balísticos, em 24 de maio.
A defesa antiaérea ucraniana abateu 91% dos drones e 81% dos mísseis de cruzeiro, mas os artefatos que vazaram atingiram sedes do ministério das Relações Exteriores, do Conselho de Ministros, museus e um mercado, deixando ao menos 87 feridos e dois mortos.
A Rússia classificou a operação como retaliação a um ataque ucraniano contra um dormitório estudantil em Starobilsk, na região ocupada de Luhansk, ocorrido dois dias antes.
O presidente Vladimir Putin chamou o episódio de ataque terrorista a uma residência universitária e afirmou que seis estudantes morreram e 39 ficaram feridos.
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, comunicou ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, que a Rússia passaria a golpear instalações militares e centros de decisão em Kiev.
A chancelaria russa mencionou o uso do novo míssil de alcance intermediário Oreshnik, já posicionado em Belarus, e recomendou que cidadãos estrangeiros deixassem a capital ucraniana.
A escalada recíproca revela um conflito cada vez mais drenante, no qual a Rússia absorve perdas elevadas enquanto mantém a iniciativa territorial e introduz novas capacidades.
A OTAN amplia o fornecimento de armas de última geração, alimentando um impasse de desgaste sem horizonte de solução diplomática.
Fonte: Al Jazeera
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