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Astrônomos confirmam existência de planetas errantes binários no hemisfério sul

2 Comentários🗣️🔥 Ilustração editorial sobre Astrônomos confirmam existência de planetas errantes binários no hemisfério sul. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6) Astrônomos descobriram dois novos pares de planetas errantes gigantes na Via Láctea, reforçando a existência dos chamados JuMBOs. A pesquisa, publicada na revista Astronomy & Astrophysics, confirma que esses sistemas binários de massa planetária são […]

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Ilustração editorial sobre Astrônomos confirmam existência de planetas errantes binários no hemisfério sul. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6)

Astrônomos descobriram dois novos pares de planetas errantes gigantes na Via Láctea, reforçando a existência dos chamados JuMBOs. A pesquisa, publicada na revista Astronomy & Astrophysics, confirma que esses sistemas binários de massa planetária são reais e não ilusões de ótica.

Os JuMBOs, sigla para objetos binários de massa de Júpiter, foram detectados inicialmente pelo telescópio James Webb em 2023 na Nebulosa de Órion. Na época, mais de 40 candidatos foram identificados, mas estudos posteriores questionaram sua existência, sugerindo que poderiam ser estrelas distantes.

Pesquisadores liderados por Claudio Cáceres e Dante Minniti, da Universidade Andrés Bello, no Chile, analisaram outra região de formação estelar: a associação Lower Centaurus-Crux, no hemisfério sul celeste. Utilizando dados dos telescópios VISTA e Gaia, eles examinaram milhares de objetos de baixa massa.

Dos cerca de 9.000 candidatos, apenas 400 pertenciam à associação estelar, apresentando movimentos coerentes com o grupo. Após análise detalhada, a equipe identificou 17 sistemas binários, sendo dois compostos por objetos de dimensão planetária.

Os pares, batizados de VVVX-FFP-001 e VVVX-FFP-007, abrigam corpos com massa inferior a 13 vezes a de Júpiter. No VVVX-FFP-001, as massas são aproximadamente 12 e 8 vezes a de Júpiter, enquanto no VVVX-FFP-007 variam entre 10 e 12 vezes. As distâncias entre os componentes chegam a 180 vezes a separação entre o Sol e Netuno.

Cáceres prefere chamá-los de binários de massa planetária em flutuação livre, explicando que o termo JuMBO ainda não é amplamente aceito na literatura científica. Os novos achados, no entanto, fortalecem a hipótese de que tais sistemas existem.

A fração de planetas errantes binários na associação Lower Centaurus-Crux é de apenas 2%, menor que os 9% estimados em Órion. Essa diferença indica que a amostra inicial do James Webb pode ter incluído falsos positivos, como estrelas de fundo classificadas erroneamente.

Os astrônomos especulam que alguns pares podem ser próximos o suficiente para manter água líquida em suas superfícies devido ao aquecimento gravitacional mútuo. Isso levanta a possibilidade de que tais mundos errantes possam ser habitáveis e transportar vida pela galáxia, embora essa ideia ainda seja especulativa.

Para confirmar a natureza desses objetos, a equipe planeja usar o Very Large Telescope do ESO para observações mais detalhadas. Os dados ajudarão a caracterizar melhor os binários de baixa massa e a determinar se representam uma nova classe de corpos celestes.

O estudo, publicado em abril de 2026, foi assinado por Cáceres, Minniti e colaboradores internacionais. A pesquisa marca mais um avanço na busca por planetas errantes e objetos que desafiam as teorias convencionais de formação planetária.

Leia mais sobre o assunto na livescience.com.


Leia também: Enigmáticos pares planetários ‘Jumbo’ podem sustentar vida sem estrela, sugere novo estudo


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Eduardo Teixeira

30/05/2026

Cientistas descobrindo planeta lá no hemisfério sul enquanto a Receita Federal descobre cada centavo meu aqui na Terra. Belo uso do dinheiro do contribuinte, hein? Se pelo menos reduzissem os impostos pra sobrar algo pra gente investir em tecnologia privada ao invés de bancar essas pesquisas com dinheiro público.

    Cristina Rocha

    30/05/2026

    Eduardo, esse discurso do “dinheiro do contribuinte mal usado” é um clássico do senso comum neoliberal que precisa ser desconstruído com urgência. Primeiro, porque você parte de uma premissa falsa: a de que a pesquisa científica básica, especialmente a astronomia, seria um luxo ou um capricho acadêmico diante dos problemas “reais” do país. Isso é uma visão utilitarista rasteira que reduz o conhecimento humano a mercadoria, a algo que precisa dar retorno financeiro imediato no balanço trimestral da sua empresa. Não é assim que a história da ciência funciona. O GPS do seu celular, a fibra óptica da sua internet e até mesmo a tecnologia de sensores que a Receita Federal usa para “descobrir cada centavo seu” vieram de pesquisas como essa, financiadas com dinheiro público e sem nenhuma aplicação prática prevista no momento em que foram feitas. É a velha lógica do “não plante árvores porque você não vai sentar na sombra”, e olha, isso é coisa de quem pensa no próprio umbigo e esquece que sociedade se constrói coletivamente.

    Segundo, você comprou acriticamente a falácia de que o Estado é um mal em si e que iniciativa privada resolveria tudo de forma mais eficiente. Me diga honestamente: qual empresa privada brasileira investiria em telescópios no hemisfério sul para mapear planetas errantes? Nenhuma. O capital privado só investe onde há lucro certo e de curto prazo. Se dependêssemos da “tecnologia privada” que você defende, ainda estaríamos usando lampiões a gás e cruzando o Atlântico de navio a vela. O conhecimento sobre o cosmos, sobre a origem do sistema solar, sobre a física fundamental — isso não se patenteia, não se vende na bolsa de valores, mas constitui a base material e intelectual para toda inovação que vem depois. Quem defende redução de impostos para “sobrar algo” para o setor privado geralmente é o mesmo que reclama quando a ponte cai, quando o SUS não tem leito ou quando a educação pública vai ladeira abaixo. A pesquisa científica é um direito do povo brasileiro, não um favor que nos fazem. E sabe quem mais se beneficia dela? Não são os cientistas de jaleco branco na torre de marfim, mas a sociedade como um todo, inclusive você que escreve aqui de um dispositivo que existe graças à física quântica desenvolvida em laboratórios estatais europeus no começo do século XX.

    Por fim, seu comentário revela uma visão profundamente provinciana e, ouso dizer, colonizada do que é conhecimento válido. Você acha que descobrir planetas errantes no hemisfério sul é algo menor, um “mimo” de cientista, porque talvez pense que astronomia é coisa de país rico, de primeiro mundo. Pois saiba que o Brasil tem um dos maiores e mais importantes observatórios do hemisfério austral — o Laboratório Nacional de Astrofísica, em Itajubá (MG) — e que parte crucial da cartografia celeste do sul foi feita por mãos brasileiras. Mas o patriarcado capitalista também coloniza o pensamento: nos ensina a menosprezar o que não dá lucro, a desprezar o saber desinteressado, a tratar o conhecimento como propriedade privada. A descoberta desses planetas binários errantes não é um desvio de verba; é um ato de afirmação da nossa capacidade de fazer ciência de ponta, de ocupar nosso lugar no concerto das nações que pensam o universo. Enquanto você reclama do leão do imposto, o mundo segue girando, estrelas explodindo e, sim, planetas vagando pelo espaço — e a humanidade, incluindo a brasileira, continua tentando entender esse espetáculo. Sugiro que leia um pouco de Adorno e Horkheimer sobre a dialética do esclarecimento para entender como essa sua postura cética com o conhecimento é, na verdade, a mais burra das servidões voluntárias ao capital.


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