Astrônomos descobriram dois novos pares de planetas errantes gigantes na Via Láctea, reforçando a existência dos chamados JuMBOs. A pesquisa, publicada na revista Astronomy & Astrophysics, confirma que esses sistemas binários de massa planetária são reais e não ilusões de ótica.
Os JuMBOs, sigla para objetos binários de massa de Júpiter, foram detectados inicialmente pelo telescópio James Webb em 2023 na Nebulosa de Órion. Na época, mais de 40 candidatos foram identificados, mas estudos posteriores questionaram sua existência, sugerindo que poderiam ser estrelas distantes.
Pesquisadores liderados por Claudio Cáceres e Dante Minniti, da Universidade Andrés Bello, no Chile, analisaram outra região de formação estelar: a associação Lower Centaurus-Crux, no hemisfério sul celeste. Utilizando dados dos telescópios VISTA e Gaia, eles examinaram milhares de objetos de baixa massa.
Dos cerca de 9.000 candidatos, apenas 400 pertenciam à associação estelar, apresentando movimentos coerentes com o grupo. Após análise detalhada, a equipe identificou 17 sistemas binários, sendo dois compostos por objetos de dimensão planetária.
Os pares, batizados de VVVX-FFP-001 e VVVX-FFP-007, abrigam corpos com massa inferior a 13 vezes a de Júpiter. No VVVX-FFP-001, as massas são aproximadamente 12 e 8 vezes a de Júpiter, enquanto no VVVX-FFP-007 variam entre 10 e 12 vezes. As distâncias entre os componentes chegam a 180 vezes a separação entre o Sol e Netuno.
Cáceres prefere chamá-los de binários de massa planetária em flutuação livre, explicando que o termo JuMBO ainda não é amplamente aceito na literatura científica. Os novos achados, no entanto, fortalecem a hipótese de que tais sistemas existem.
A fração de planetas errantes binários na associação Lower Centaurus-Crux é de apenas 2%, menor que os 9% estimados em Órion. Essa diferença indica que a amostra inicial do James Webb pode ter incluído falsos positivos, como estrelas de fundo classificadas erroneamente.
Os astrônomos especulam que alguns pares podem ser próximos o suficiente para manter água líquida em suas superfícies devido ao aquecimento gravitacional mútuo. Isso levanta a possibilidade de que tais mundos errantes possam ser habitáveis e transportar vida pela galáxia, embora essa ideia ainda seja especulativa.
Para confirmar a natureza desses objetos, a equipe planeja usar o Very Large Telescope do ESO para observações mais detalhadas. Os dados ajudarão a caracterizar melhor os binários de baixa massa e a determinar se representam uma nova classe de corpos celestes.
O estudo, publicado em abril de 2026, foi assinado por Cáceres, Minniti e colaboradores internacionais. A pesquisa marca mais um avanço na busca por planetas errantes e objetos que desafiam as teorias convencionais de formação planetária.
Leia mais sobre o assunto na livescience.com.
Leia também: Enigmáticos pares planetários ‘Jumbo’ podem sustentar vida sem estrela, sugere novo estudo
📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho
Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.