Designers italianos criticam duramente design do primeiro Ferrari elétrico

Ilustração editorial sobre Designers italianos criticam duramente design do primeiro Ferrari elétrico. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6)

O primeiro veículo elétrico da Ferrari, o Luce, um sedã de 650 mil dólares, gerou polêmica entre entusiastas e especialistas. Segundo a revista Wired, o lançamento provocou queda de 8% nas ações da montadora.

Luca Cordero di Montezemolo, ex-presidente da Ferrari, afirmou que o modelo arrisca destruir um mito. O senador italiano Carlo Calenda classificou o lançamento como insulto estético e tecnológico.

Maurizio Corbi, designer com mais de 30 anos de experiência, sugeriu que a polêmica pode ser estratégia de marketing. Ele disse à Wired Itália que a Ferrari lançou uma pedra no lago e agora domina as discussões.

Corbi criticou o design do Luce por se afastar da tradição da marca. Para ele, o carro parece ter sido projetado por um designer de produto, não por um especialista em automóveis.

O volume do Luce foi descrito como um sabonete familiar, negando tudo que a Ferrari representa. Rodas pequenas remetem a carros antigos e não há traços estilísticos da herança da empresa.

A participação de Jony Ive e Marc Newson, ex-designers da Apple, foi vista como escolha arrogante. Corbi destacou que clientes fiéis, incluindo membros do Ferrari Club of America, ficaram chocados com o resultado.

Alessandro Cipolli, designer com 20 anos de experiência, reconheceu que o exterior é bem projetado e refinado. No entanto, ele afirmou que o modelo carece da tensão e força típicas de um Ferrari.

Cipolli observou que o interior segue a linguagem da Apple. Sem o logotipo, seria impossível identificar a marca, faltando o apelo emocional esperado em um carro esportivo.

Carlo Gaino, fundador da Synthesis Design, foi mais contundente. Ele afirmou que o Luce exemplifica o que acontece quando pessoas ignorantes da história do automóvel projetam um ícone.

Gaino destacou que as soluções formais do carro já circulavam nos anos 80 e 90. Para ele, representam escolhas de iniciantes, não de quem estudou a história do design automotivo.

O Luce pesa cerca de uma tonelada a mais que um híbrido da Ferrari. Utiliza quatro motores elétricos e acomoda cinco passageiros, com aceleração de zero a 100 km/h em 2,5 segundos.

A reação negativa ao Luce pode indicar nova direção para os elétricos da Ferrari. Maurizio Corbi lembrou que os compradores da marca são pessoas maduras, com expectativas que não mudam apenas pela presença do cavalinho rampante.

Leia mais sobre o assunto na wired.com.


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