O bloqueio do Estreito de Hormuz não é um episódio isolado, mas o mais recente de uma série de golpes contra a ordem comercial e econômica global estabelecida após a queda da União Soviética no início dos anos 1990.
Em publicação nas redes sociais, Donald Trump afirmou que o estreito estava prestes a ser desbloqueado. Ele disse que estava no Salão Oval da Casa Branca, onde conversou com o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman Al Saud, da Arábia Saudita, Mohammed bin Zayed Al Nahyan, dos Emirados Árabes Unidos, e líderes do Catar, Paquistão, Turquia, Egito, Jordânia e Bahrein sobre a República Islâmica do Irã e um memorando de entendimento relativo à paz.
Trump declarou que um acordo foi amplamente negociado, sujeito a finalização entre os Estados Unidos, a República Islâmica do Irã e os vários outros países listados. Separadamente, ele teve uma ligação com o primeiro-ministro Bibi Netanyahu, de Israel. Segundo Trump, aspectos finais e detalhes do acordo estavam sendo discutidos e seriam anunciados em breve, e o Estreito de Hormuz seria aberto.
A análise publicada pela Asia Times sustenta que Hormuz tornou inevitável a entrada definitiva de uma nova ordem mundial, na qual a globalização sem obstáculos já não funciona adequadamente e o comércio volta a depender de garantias militares, como no século XIX.
O texto identifica quatro golpes à ordem estabelecida. O primeiro é o fechamento do mercado chinês e a não conversibilidade plena do RMB, o que separou seletivamente a China, a maior potência industrial do mundo e segunda potência comercial, da livre circulação de bens e serviços no resto do mundo.
A China também tem um superávit comercial crescente e uma moeda considerada subvalorizada, segundo Mark Sobel e Brad Setser argumentaram recentemente.
O segundo elemento é a resposta americana, marcada pela imposição de tarifas do século XIX que afetaram o comércio global, não apenas a China. Para a América do presidente Donald Trump, o problema é seu desequilíbrio comercial e financeiro.
Segundo o economista Wang Jian, que identificou isso há mais de 20 anos, antes da crise financeira de 2008, a América era uma economia de papel que não poderia se sustentar. A China não teve outra opção senão escapar desse desmoronamento americano e criar seu próprio sistema alternativo.
O terceiro elemento é o fechamento de Hormuz, que levanta a perspectiva de fechar qualquer um dos estreitos do mundo e, portanto, imporia algum nível de militarização desses estreitos. Para a China, isso seria uma nova linha de falha para os EUA.
O quarto elemento é a pressão migratória que varre o mundo ocidental, carregando mais do que pessoas. É uma fase diferente da modernidade, na qual o homem branco não mais percorre o mundo e o coloniza como fez nos últimos cinco séculos.
Pequim reconhece a crise que enfrenta o mundo ocidental e responde sistematicamente. A China organizou um congresso sobre a proposição de que a elaboração teórica se refere ao processo de elevar as práticas diplomáticas e entendimentos teóricos da China em teorias acadêmicas, princípios profissionais e conhecimento público.
Liu Qing, vice-presidente do Instituto Chinês de Estudos Internacionais, teria argumentado que a China tem suas próprias características distintas e que as teorias ocidentais de relações internacionais são fundamentalmente moldadas pelo centrismo ocidental.