O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, rejeitou os ultimatos impostos por potências ocidentais contra Teerã. Em entrevista à emissora estatal IRIB, ele confirmou que o Estreito de Ormuz passou a operar sob medidas especiais iranianas.
Baghaei afirmou que a República Islâmica toma decisões baseadas nos interesses e direitos de sua nação, recusando qualquer imposição externa. Ele classificou o bloqueio naval dos Estados Unidos na região como ilegal desde o início.
O bloqueio naval americano violou diretamente o cessar-fogo e interrompeu a liberdade de navegação internacional. Baghaei destacou que, se os EUA suspenderem essas ameaças, estarão apenas corrigindo um ato ilegal que jamais deveriam ter cometido.
Após um ataque conjunto de Estados Unidos e Israel, o Estreito de Ormuz passou a operar sob coordenação direta das autoridades iranianas. Navios comerciais agora transitam pela via estratégica somente após autorização da República Islâmica.
O porta-voz ressaltou o papel do Irã e Omã na gestão da hidrovia, destacando a abordagem responsável dos dois países. Ambos oferecem garantias à comunidade internacional sobre a segurança do trânsito marítimo.
Irã e Omã estabelecerão mecanismos para assegurar a segurança nacional e a navegação global. A medida consolida o controle regional sobre uma das passagens marítimas mais críticas do mundo, por onde escoa cerca de um quinto do petróleo global.
Questionado sobre declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a respeito do urânio enriquecido iraniano, Baghaei evitou confronto retórico. Ele afirmou que o foco de Teerã está em encerrar a guerra, sem detalhar reservas de urânio.
A entrevista foi concedida à IRIB e repercutida pela agência Mehr News. Baghaei encerrou destacando que a experiência recente não pode ser ignorada na nova arquitetura de segurança regional.
O porta-voz reforçou que os mecanismos estabelecidos por Irã e Omã servirão à segurança nacional e à navegação internacional. A nova ordem no Estreito de Ormuz desafia a presença militar americana no Golfo Pérsico.
Leia também: Trump impõe condições duras e Irã rejeita confiança em acordo sobre Estreito de Ormuz
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Mariana Lopes
30/05/2026
Mais um capítulo da mesma novela: Irã e EUA trocam farpas, o Estreito de Ormuz vira peça de xadrez, e quem paga o pato é o consumidor aqui no Brasil com o preço do petróleo balançando. Duvido que essa “nova ordem” saia do papel sem antes todo mundo voltar à mesa de negociação — a história já mostrou que ultimatos raramente funcionam no Oriente Médio.
Luiz Augusto
30/05/2026
Essa retórica de “nova ordem” é só mais um blefe dos aiatolás. O que sustenta o regime deles é o petrodólar que passa justamente pelo Estreito de Ormuz. Enquanto isso, a esquerda ocidental ainda acha que diálogo e “reparação histórica” vão convencer uma teocracia que executa homossexuais e sufoca mulheres. Livre mercado precisa de segurança jurídica, não de chantagem geopolítica.
Mateus Silva
30/05/2026
Luiz, você reduz a geopolítica a uma operação de livre mercado, mas Marx já ensinava que o capitalismo precisa de Estados fortes e, quando convém, de teocracias funcionais — o Ocidente sustentou a Arábia Saudita por décadas com o mesmo argumento do “petrodólar”. A “segurança jurídica” que você invoca é a mesma que garantiu o xá Reza Pahlevi até 1979; o problema não é a teocracia iraniana, é o jogo de poder que a criou e a mantém como antagonista útil.
João Santos
30/05/2026
Irã mandando recado pros EUA de novo… esse povo aí não aprende. Enquanto isso, aqui no Brasil o cara que trabalha igual um condenado paga a conta. Bandido bom é bandido preso, e esses aiatolás são tudo farinha do mesmo saco. Cadê a mão firme que a gente precisa no mundo?
Tiago Mendes
30/05/2026
João, a mão firme que você pede é a mesma que justifica invasões e sanções que matam inocentes — não vejo isso como justiça. Como cristão, entendo que a paz não vem com demonização do outro, mas com escuta e reparação histórica; enquanto a gente aplaude “mão firme” contra o Irã, esquece que nosso próprio Estado também prende e mata pobres aqui dentro.