A MerMec, empresa italiana especializada em soluções ferroviárias, apresenta um ecossistema inovador que combina inteligência artificial, sensores avançados e compartilhamento de dados para elevar a segurança no setor.
Ruggero Delcuratolo, diretor administrativo da MerMec, detalhou a iniciativa em entrevista ao Railway Gazette. Ele destacou que a digitalização e automação transformam o monitoramento e manutenção de ativos ferroviários.
Antes, as medições eram realizadas em silos separados para material rodante, infraestrutura e sinalização. Agora, essas informações são integradas em uma única cadeia de análise, permitindo diagnósticos mais precisos e ágeis.
A MerMec utiliza tecnologias híbridas, como escaneamento a laser metrológico e visão computacional, aliadas a algoritmos de IA. Segundo reportagem do Railway Gazette, a empresa conecta sistemas de via e diagnósticos de infraestrutura para identificar tendências e insights antes ocultos.
A companhia, sediada em Monopoli, no sul da Itália, expandiu suas operações com a aquisição das atividades de sinalização da Hitachi Rail na França, Alemanha e Reino Unido. A transação foi condicionada pela União Europeia para aprovar a compra da Thales GTS pela Hitachi.
Com a aquisição, a MerMec estabeleceu a MerMec Deutschland em Munique e reviveu a marca histórica Compagnie des Signaux (CSEE) na França. A CSEE foi escolhida pela Eurotunnel para modernizar a sinalização do Túnel do Canal e implementar o sistema europeu de controle de trens ETCS.
A empresa também fornece veículos de inspeção para gestores de infraestrutura em diversos países. O trem Archimede, utilizado na Itália desde os anos 2000, inspeciona geometria de via, catenária e sistemas de sinalização a 200 km/h, cobrindo 10 mil km de linhas eletrificadas anualmente.
Na Itália, o trem de alta velocidade Diamante 2.0, equipado com mais de 200 sensores, monitora linhas a 300 km/h. A MerMec também forneceu veículos da família ROGER para Suíça, Noruega, Coreia do Sul e Chile.
Nos Estados Unidos, a empresa entregou um veículo laboratório para o BART de São Francisco em 2016. Adaptado da plataforma ROGER MM 600, o equipamento atende aos requisitos Buy America e integra múltiplos sensores para medir geometria de via e detectar defeitos a até 110 km/h.
Um dos projetos mais inovadores é a iniciativa europeia Harmonised European Railway Diagnostics (HERD). O objetivo é padronizar formatos de dados de diagnóstico em todo o continente, criando um Espaço de Dados Ferroviários europeu.
Essa padronização permitirá o compartilhamento de informações entre administradores de infraestrutura, operadores e mantenedores. Delcuratolo ressaltou que dados coletados por um trem de carga na Áustria poderão ser utilizados na Itália, beneficiando todo o ecossistema ferroviário.
O grupo de trabalho Europe’s Rail estuda como os gestores coletam e utilizam dados para estabelecer estruturas comuns de intercâmbio. A iniciativa visa não apenas monitorar infraestrutura, mas também compartilhar dados operacionais de tráfego, melhorando a coordenação entre trens e redes.
A MerMec aposta na redução do esforço humano com novas funcionalidades baseadas em IA. A tecnologia permite interpretar e filtrar informações com maior eficiência, aumentando a precisão dos relatórios e viabilizando a geração automática de planos de manutenção preditiva.
O ecossistema digital proposto exige a padronização de formatos de dados e modelos de condição de ativos. Com a IA, a empresa avança para uma gestão mais inteligente e preditiva das ferrovias, reduzindo custos e aumentando a segurança operacional.
Leia também: Adif impulsiona modernização com tecnologia avançada para inspeção de trilhos na Espanha
📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho
Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.


Pedro Neto
30/05/2026
Faz o L e o trem descarrila, agora com IA eles roubam até os dados do trilho, comunista safado!
Luan Silva
30/05/2026
IA na ferrovia? Enquanto isso, no Brasil, os trens do PT descarrilam toda semana. Faz o L nunca mais!
Bia Carioca
30/05/2026
Luan, amigo, descarrilamento tem mais a ver com décadas de sucateamento e falta de investimento do que com partido A ou B — e olha que a maioria das nossas ferrovias é concessão privada, não do Estado. Criticar com “Faz o L nunca mais” é repetir bordão sem encarar o problema real da infraestrutura.