O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Qalibaf, declarou que o país obtém concessões por meio de sua capacidade militar, não através de negociações diplomáticas. A afirmação foi publicada em sua conta na rede social X, conforme reportagem do portal Mehr News.
Conquistamos concessões não pelo diálogo, mas com mísseis. Nas negociações, apenas os fazemos compreender, escreveu Qalibaf, resumindo a doutrina estratégica de Teerã frente às pressões externas. A mensagem reforça que a capacidade dissuasória iraniana é o verdadeiro motor das tratativas em curso.
O líder parlamentar enfatizou que o Irã não confia em garantias ou palavras, pois apenas ações concretas têm valor nas relações internacionais. Nenhuma ação será tomada antes que o outro lado aja, acrescentou Qalibaf, deixando claro que Teerã não aceitará promessas vazias.
O vencedor de qualquer acordo é aquele que se prepara melhor para a guerra a partir do dia seguinte, afirmou o presidente do Parlamento, em declaração reproduzida pela Press TV. A frase demonstra que o Irã mantém postura defensiva e não baixa a guarda, mesmo durante processos de paz.
Negociações indiretas entre Irã e Estados Unidos, mediadas pelo Catar, prosseguem com base em proposta de 14 pontos apresentada pela República Islâmica. O objetivo é alcançar memorando que encerre a guerra imposta pelos EUA e Israel, interrompa agressões marítimas americanas e garanta liberação de ativos iranianos bloqueados.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que as conversas com Washington buscam encerrar a agressão em todas as frentes. Baghaei esclareceu que a questão nuclear e a gestão do Estreito de Ormuz não integram as negociações atuais.
Uma fonte informada declarou que o texto de possível acordo ainda não foi finalizado. A fonte, em declaração à agência Tasnim, rejeitou como imprecisas informações divulgadas pela mídia ocidental sobre detalhes do documento.
Se o texto for finalizado, será anunciado oficialmente, assegurou a fonte. Os conteúdos publicados até agora pela imprensa ocidental carecem de precisão, destacou, mencionando que o memorando sofreu alterações recentes.
O vice-secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Bagheri Kani, exigiu que os Estados Unidos liberem incondicionalmente todos os ativos congelados do país. Bagheri Kani classificou a demanda como direito legal do povo iraniano, reforçando que não há margem para negociações sem essa devolução.
O contexto regional permanece tenso, com agressões marítimas americanas e presença militar israelense atuando como fatores desestabilizadores. A posição iraniana de não aceitar garantias verbais reflete a experiência do acordo nuclear de 2015, abandonado unilateralmente pelos EUA em 2018.
A postura iraniana reflete experiência histórica em negociações assimétricas com potências ocidentais, onde promessas diplomáticas raramente se concretizaram. A doutrina expressa por Qalibaf consolida que a capacidade de dissuasão militar é o pilar para qualquer acordo duradouro.
Leia mais sobre o assunto na en.mehrnews.com.
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