Expedição ao deserto mais escuro dos emirados árabes revela via láctea a olho nu

Dois observadores captam a Via Láctea com um laser no céu noturno do Emirado Árabe. (Foto: phys.org)

As luzes dos arranha-céus de Dubai atraem turistas, mas ofuscam o céu noturno que já guiou beduínos pelo deserto. Apenas 1% da população dos Emirados Árabes Unidos consegue ver a Via Láctea de suas casas, segundo estudo científico.

Voluntários do Dubai Astronomy Group levam visitantes ao deserto Al Quaa, o ponto mais escuro do país, para observar a galáxia sem equipamentos. Conforme reportagem do phys.org, o local oferece uma visão rara do cosmos.

O deserto fica a 100 quilômetros de Abu Dhabi, acessível por rodovia até Al Ain e depois por estrada secundária. A região mergulha em escuridão total, livre da poluição luminosa das cidades.

Em expedição recente, famílias de diferentes nacionalidades se reuniram sobre tapetes para acompanhar o pôr da lua. Quando a noite caiu, o contorno da Via Láctea tornou-se visível a olho nu.

Sheeraz Awan, gerente do grupo, usou um apontador laser para destacar estrelas enquanto visitantes registravam meteoros. Alguns aprenderam a capturar fotos de longa exposição com celulares na areia gelada do deserto.

A experiência resgatou a tradição beduína de se orientar pelas constelações no deserto do Quarto Vazio. Awan destacou que observar a Via Láctea é uma prática ancestral compartilhada por todas as culturas.

Os Emirados Árabes estão entre os países com maior poluição luminosa do mundo, resultado do rápido desenvolvimento urbano. Abu Dhabi implementou em 2024 uma política para reduzir o problema, enquanto Dubai expande seus espetáculos de luzes.

A viagem ao Al Quaa ofereceu um vislumbre da galáxia, longe do brilho das metrópoles. A cena noturna incluiu trabalhadores descansando em caminhonetes e a vida selvagem do deserto.


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