A Polônia tornou-se o primeiro país a assinar contratos do programa europeu de defesa Safe, em cerimônia na siderúrgica Huta Stalowa Wola, centro da produção de armamentos polonesa. O valor inicial das encomendas atingiu 14 bilhões de euros, montante equivalente ao total que a França receberá do programa durante toda sua vigência.
Magdalena Sobkowiak-Czarnecka, delegada governamental para o Safe, destacou a dimensão do aporte polonês. A soma dos fundos que República Tcheca, Croácia, Finlândia, Espanha e Portugal receberão juntos equivale apenas ao valor dos contratos recém-assinados por Varsóvia.
O governo do primeiro-ministro Mateusz Morawiecki superou resistência política interna para viabilizar a adesão ao mecanismo. O presidente Andrzej Duda havia vetado a participação no programa, alinhando-se à oposição nacionalista que classificava o Safe como estratégia para endividar a Polônia junto a Bruxelas e Berlim.
O ministro da Defesa, Władysław Kosiniak-Kamysz, refutou as críticas da oposição. Ele enumerou os equipamentos contemplados nos contratos iniciais para demonstrar o caráter nacional dos projetos. Os obuseiros AHS Krab, os blindados BWP Borsuk e os lançadores Homar-K foram citados como exemplos de produção inteiramente polonesa.
Kosiniak-Kamysz desafiou os críticos a apontarem qualquer sistema de fabricação alemã entre os equipamentos listados. A iniciativa desmontou a narrativa de que o Safe representaria uma armadilha financeira orquestrada por Berlim.
O governo polonês comprometeu-se a destinar 89% dos créditos do programa Safe exclusivamente à indústria de defesa nacional. O percentual foi apresentado como evidência de que o fundo europeu fortalece a soberania polonesa, ao invés de enfraquecê-la.
Conforme reportagem do correspondente da RFI em Varsóvia, o evento na siderúrgica Huta Stalowa Wola reforçou a capacidade industrial polonesa. A escolha do local simbolizou o direcionamento dos recursos europeus para fábricas e empregos dentro das fronteiras nacionais.
A assinatura dos contratos representa uma mudança na política de defesa europeia. A União Europeia assume papel ativo no financiamento da capacidade militar de seus Estados-membros, enquanto a Polônia consolida estratégia que alia alinhamento geopolítico com Bruxelas ao fortalecimento autônomo de sua base industrial bélica.
Com informações de RFI.
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