Aeronave experimental X-59 da NASA se prepara para romper a barreira do som em seu maior desafio até agora. O projeto faz parte da missão Quesst, que busca viabilizar voos supersônicos comerciais sobre áreas povoadas.
O design aerodinâmico do X-59 foi desenvolvido para transformar o estrondo sônico tradicional em um discreto baque sonoro. Isso pode abrir caminho para o retorno das viagens comerciais de passageiros em velocidade supersônica.
Os primeiros voos supersônicos devem ocorrer nas próximas semanas. A aeronave deverá superar 1.014 km/h a cerca de 13 mil metros de altitude.
Posteriormente, o jato tentará atingir Mach 1,4, cerca de 1.488 km/h, a 16,7 mil metros. Esses parâmetros correspondem às condições que a NASA usará em sobrevoos de teste em comunidades selecionadas nos EUA.
Durante essas missões, pesquisadores coletarão dados sobre a percepção pública do novo perfil sonoro. os primeiros testes supersônicos não terão como foco demonstrar a capacidade silenciosa do jato.
Uma aeronave de perseguição acompanhará o X-59, e seus estrondos tradicionais mascararão os sons mais discretos do jato experimental. A trajetória do X-59 inclui marcos importantes desde seu voo inaugural em outubro de 2025.
Após manutenção programada, os testes foram retomados em março de 2026. A aeronave acumulou 14 voos adicionais, incluindo o primeiro recolhimento do trem de pouso em voo e múltiplas decolagens no mesmo dia.
Engenheiros utilizaram os dados dessas missões para avaliar sistemas críticos. Entre eles estão abastecimento de combustível, controles hidráulicos, climatização e o Sistema de Visão Externa.
Esse sistema substitui o para-brisa tradicional por câmeras que fornecem visão em tempo real ao piloto. Sensores de tensão instalados na fuselagem mediram cargas estruturais durante os testes.
Cathy Bahm, gerente do projeto Low Boom Flight Demonstrator da NASA, destacou a importância do momento. Voar em velocidades supersônicas é um marco para a equipe do X-59, afirmou.
Completar o primeiro voo em condições de missão valida a aeronave no ambiente para o qual foi projetada. A nova fase de testes levará o jato a seus limites máximos de desempenho.
Isso inclui velocidade de Mach 1,6, aproximadamente 1.960 km/h, e altitude de 18,2 mil metros. Nem todos os voos serão supersônicos, pois engenheiros continuarão intercalando testes subsônicos.
Essas missões integram a Fase 1 do programa Quesst, dedicada a comprovar desempenho e aeronavegabilidade. Alguns voos já utilizam equipamentos especializados, como uma sonda de choque instalada em um caça F-15 da NASA.
As informações coletadas serão fundamentais para a Fase 2, prevista para começar ainda este ano. Nessa etapa, equipes farão medições diretas da assinatura supersônica para confirmar o baque silencioso.
Bahm citou o pioneiro da aviação Otto Lilienthal ao refletir sobre os 15 voos realizados desde março. Cada voo ampliou os limites do possível, expandindo o envelope e fortalecendo a confiança na aeronave.
A gerente do projeto enfatizou que a equipe permanece focada no trabalho à frente. O sucesso do X-59 pode redefinir o futuro da aviação comercial supersônica, eliminando obstáculos regulatórios que impediam voos civis de alta velocidade sobre áreas povoadas.
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Com informações de https://www.science.org/.