Cientistas descobrem casca alcalina em gotículas de poluição e revolucionam modelos climáticos

Ilustração editorial sobre Cientistas descobrem casca alcalina em gotículas de poluição e revolucionam modelos climáticos. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6)

Engenheiros ambientais da Virginia Tech descobriram que partículas microscópicas de poluição no ar possuem uma casca alcalina oculta, desafiando modelos climáticos e de qualidade do ar estabelecidos há décadas. A descoberta, publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, compara as gotículas aéreas a confeitos M&M, com química interna e externa drasticamente diferentes.

Yangyang Liu, pesquisadora em engenharia civil e ambiental da Virginia Tech, e Peter Vikesland, professor titular de engenharia da universidade, lideraram o estudo. Eles descobriram que ácidos graxos liberados na cozinha ou em incêndios formam um revestimento que torna a superfície da gota altamente alcalina. Enquanto o interior da partícula pode ser ácido, a casca externa cria campos elétricos minúsculos que aceleram reações químicas na atmosfera.

Esse comportamento era completamente ignorado pelos cientistas, que tratavam as gotículas como se fossem quimicamente uniformes. O impacto da descoberta é amplo: as reações mais importantes de poluição ocorrem na superfície das partículas, onde tocam o ar. Se a superfície é diferente do interior, as partículas podem se transformar muito mais rápido do que os modelos atuais preveem.

Isso afeta diretamente o que os seres humanos respiram. Fumaça de cozinha, fumaça de incêndios florestais e poluição urbana podem mudar na atmosfera de forma imprevista, influenciando a qualidade do ar e a saúde respiratória. Além disso, a forma como a poluição viaja e se espalha também é alterada pela nova química de superfície.

Modelos climáticos também precisarão de revisão. Partículas aerossóis ajudam a formar nuvens e influenciam a radiação solar. Se a superfície das gotículas se comporta de maneira diferente, as previsões de clima e até de aquecimento global podem ser afetadas. Para chegar a essas conclusões, a equipe realizou simulações controladas em laboratório, gerando aerossóis microscópicos revestidos com ácidos graxos para medir os campos elétricos e as reações na superfície.

Sem depender de amostras de campo, o método permitiu isolar o fenômeno com precisão inédita. Os resultados, conforme reportagem do portal Phys.org, indicam que a atividade química na superfície das partículas é muito mais intensa do que se supunha. Isso exige atualizações urgentes nos programas de computador que preveem a poluição e seus efeitos na saúde. A pesquisa de Liu e Vikesland sublinha a necessidade de incorporar a química de interface nos modelos atmosféricos. Sem essa correção, previsões de qualidade do ar e mudanças climáticas continuarão subestimando a velocidade das transformações que afetam a vida cotidiana de milhões de pessoas.

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