O bolsonarismo sem Jair Bolsonaro continua a ser um fardo para a direita brasileira, e a nova pesquisa Real Time Big Data confirma essa tendência de forma cristalina. Divulgado nesta segunda-feira (1º), o levantamento mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) derrota o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno por 45% a 40%, uma vantagem de cinco pontos fora da margem de erro.
Os números, reportados pelo Poder360, revelam que o escândalo do Banco Master, envolvendo a relação de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro, continua a sangrar a candidatura do herdeiro político do clã. A rejeição ao sobrenome, somada às suspeitas que cercam o senador, parece estar cristalizando no eleitorado a percepção de que o filho 01 repete velhos vícios da família.
A pesquisa, no entanto, não dá vida fácil ao petista. Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) empatam tecnicamente com Lula no segundo turno, ambos com 43% das intenções de voto. O empate revela que a direita tradicional, menos contaminada pela rejeição bolsonarista, ainda consegue falar com o eleitorado conservador.
Caiado, ex-governador de Goiás por dois mandatos, e Zema, que comanda Minas Gerais, representam uma alternativa mais palatável para quem rejeita o PT mas não quer embarcar no radicalismo bolsonarista. São figuras que construíram trajetória na gestão pública, não na gritaria de redes sociais, e isso pesa na hora de conquistar o eleitor de centro.
No primeiro turno, Lula lidera com 38% das intenções de voto, contra 31% de Flávio Bolsonaro. Uma diferença de sete pontos percentuais que coloca o presidente em posição confortável, mas não decisiva, para a largada oficial da campanha.
Caiado aparece em terceiro lugar, com 12%, seguido por Zema com 8%. O ex-candidato Renan Santos tem 4%, e os demais nomes testados não chegam a pontuar, confirmando que a disputa se afunila entre quatro protagonistas.
O levantamento foi realizado entre 29 e 30 de maio, com 2.000 entrevistados em todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%, e o estudo está registrado no TSE sob o código BR-05864/2026, custeado com R$ 80 mil de recursos próprios.
O dado mais contundente da pesquisa é a fragilidade de Flávio Bolsonaro como candidato competitivo. O senador, que herdou a máquina do PL e a expectativa de unificar o campo conservador, patina mesmo com toda a estrutura partidária e o recall do sobrenome mais famoso da direita brasileira.
Sem a figura polarizadora do pai, inelegível por decisão do TSE, o bolsonarismo enfrenta aquilo que sempre negou: a dificuldade de se renovar para além do mito. Flávio não consegue replicar a conexão emocional que Jair Bolsonaro estabeleceu com as bases mais radicais, e o escândalo Vorcaro só aprofundou essa desconexão.
Caiado e Zema, por sua vez, surfam em um antipetismo mais institucional, menos afeito a rupturas e bravatas golpistas. A possível inclusão de Silvia Abravanel como vice de Caiado, ventilada nos bastidores do PSD, é um aceno ao eleitorado popular que o bolsonarismo já não consegue mais alcançar com naturalidade.
Para Lula, o cenário é de cautela, não de alarme. O presidente mantém uma base sólida no Nordeste e entre as camadas de menor renda, dois pilares que sustentaram sua vitória em 2022 e que permanecem firmes nas pesquisas qualitativas.
A eleição de 2026 se desenha como uma disputa entre a experiência de um governo que reconstruiu políticas públicas e uma oposição fragmentada que ainda não encontrou um líder capaz de unificá-la. O relógio eleitoral corre, e a direita segue sem resposta para a pergunta que mais a assombra: quem enfrentará Lula em outubro?