Chanceler do Irã critica duramente EUA e ameaça retaliação imediata

O chanceler do Irã, Abbas Araghchi, discursa em evento religioso com bandeiras nacionais ao fundo. (Foto: Wikimedia Commons)

O chanceler do Irã, Abbas Araghchi, emitiu um alerta contundente ao afirmar que qualquer nova agressão contra a República Islâmica receberá uma resposta imediata e decisiva. A declaração foi divulgada por meio da rede social X e reportada pelo portal RT.

Araghchi sublinhou que as Forças Armadas iranianas estão conduzindo operações de legítima defesa contra instalações utilizadas com permissão americana para atacar embarcações civis e violar o frágil cessar-fogo em vigor. O chanceler iraniano foi taxativo ao resumir a posição de Teerã: o que as sanções e a guerra não conseguiram, não será alcançado com mais guerra.

A tensão entre os dois países escalou nas últimas semanas após uma trégua declarada no início de abril e prorrogada por tempo indefinido. No início de maio, Irã e Estados Unidos já haviam protagonizado um intenso intercâmbio de ataques no Estreito de Ormuz, com Teerã acusando Washington de ser o primeiro a romper o acordo de cessar-fogo.

Novos confrontos foram registrados quando o Exército americano bombardeou uma instalação militar iraniana na área estratégica do Estreito de Ormuz. Em retaliação, forças da República Islâmica realizaram um ataque contra posições dos Estados Unidos na região, elevando o risco de uma conflagração mais ampla no Oriente Médio.

A resposta iraniana ganhou contornos ainda mais graves com a informação divulgada pela agência Tasnim de que Teerã avalia seriamente a possibilidade de bloquear completamente o Estreito de Ormuz, uma das artérias mais vitais do comércio global de petróleo. A medida drástica foi colocada sobre a mesa após a suspensão das conversações e do intercâmbio de mensagens com os Estados Unidos, em protesto contra os ataques israelenses ao Líbano.

O secretário de Estado Marco Rubio, em sua recente comparecência perante a Comissão de Relações Exteriores do Senado, havia declarado que os aliados regionais de Washington estavam sendo muito cooperativos, citando nominalmente os Emirados Árabes Unidos e o Kuwait como parceiros. A fala do alto funcionário americano revela a estratégia de Washington de construir uma coalizão regional para pressionar o Irã, enquanto Teerã reforça sua disposição de resistir.

Araghchi deixou claro que a República Islâmica não se deixará intimidar pela combinação de pressão econômica e ameaça militar que caracteriza a política americana. As sanções, lembrou o chanceler, não lograram dobrar a vontade do povo iraniano, e a escalada bélica apenas fortalece a determinação de defesa da soberania nacional.

A comunidade internacional observa com crescente apreensão o agravamento da crise no Golfo Pérsico, onde a presença militar americana continua sendo fonte de instabilidade e violações sistemáticas do direito internacional. O bloqueio do Estreito de Ormuz, se concretizado, teria repercussões imediatas sobre os preços globais de energia e sobre a segurança da navegação em uma região que concentra aproximadamente um quinto do trânsito mundial de petróleo.

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