China libera carne bovina brasileira de febre aftosa, mas cota limita lucros

Vendedor pesa carne em açougue, ilustrando a expansão das exportações de carne bovina brasileira para a China.

O Brasil conquistou acesso mais amplo ao maior mercado mundial de carne bovina depois que a China reconheceu todo o país como livre de febre aftosa, embora uma nova cota ainda limite os preços.

Após análise de risco, Pequim suspendeu a restrição sobre o norte do Brasil e reconheceu o país inteiro como livre da doença. A medida foi datada de 29 de maio e tornada pública na terça-feira.

A decisão reverte determinações chinesas de 2002, 2005 e 2009. A última delas tratava apenas Santa Catarina e um grupo de outros estados como livres da doença.

A Organização Mundial de Saúde Animal certificou o Brasil como livre de febre aftosa sem vacinação cerca de um ano atrás, depois que o rebanho nacional passou 12 meses sem imunização.

O novo status permite ao Brasil buscar acesso para produtos que exigem ausência da doença sem vacinação, incluindo carne bovina com osso, miúdos bovinos, miúdos internos de suínos e cálculos biliares bovinos usados pela indústria farmacêutica. Carne suína e miúdos externos de suínos, como pés e orelhas, agora limitados a Santa Catarina, poderão alcançar outros estados uma vez que plantas aprovadas façam a solicitação.

O reconhecimento segue uma decisão chinesa separada de classificar o Brasil como risco negligenciável para encefalopatia espongiforme bovina, conhecida como doença da vaca louca. As autoridades chinesas tratam esse status como condição para ampliar o comércio de proteínas.

A abertura chega junto com uma salvaguarda chinesa sobre carne bovina que limita quanto o Brasil pode ganhar com suas exportações. Em vigor desde 1º de janeiro e prevista para durar três anos, ela estabelece um teto inicial de 1,1 milhão de toneladas anuais para remessas brasileiras, sujeitas a tarifa de 12 por cento, com sobretaxa de 55 por cento sobre qualquer volume acima dessa linha.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne, conhecida como ABIEC, estima a cota em cerca de 65 por cento do que as plantas brasileiras embarcaram em 2025 e espera que as exportações totais de carne bovina caiam cerca de 10 por cento. Se a demanda do início de 2026 se mantiver, o teto pode ser atingido antes do segundo semestre do ano.

As vendas do agronegócio brasileiro para a China ultrapassaram 50 bilhões de dólares ao longo do ano. Nos primeiros quatro meses de 2026, as compras chinesas de carne bovina subiram 25 por cento, com o Brasil fornecendo mais da metade do total.

As exportações de carne bovina dos Estados Unidos para a China caíram de 1,7 bilhão de dólares em 2022 para menos de 500 milhões de dólares em 2025.

Apesar da decisão de terça-feira, cinco plantas brasileiras permanecem impedidas de exportar para a China.

Na semana passada, Pequim suspendeu importações de uma unidade da JBS em Vilhena, localizada no estado de Rondônia, citando preocupações sanitárias. Inspetores descobriram traços de progesterona, um hormônio esteroide que, embora ocorra naturalmente em animais, tem limites rigorosos de resíduos em mercados altamente exigentes como a China.

A Administração Geral de Alfândegas da China enviou uma comunicação às autoridades brasileiras em Pequim em 26 de maio, impondo embargo indefinido à planta da JBS.

O Brasil também está sob pressão da União Europeia, depois que o bloco o removeu de sua lista de exportadores autorizados de produtos animais devido ao uso de antimicrobianos. A exclusão entra em vigor em 3 de setembro e pode custar cerca de 2 bilhões de dólares por ano.

Material de referencia publicado por SCMP.

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