Os Estados Unidos atacaram a ilha estratégica de Qeshm, no Estreito de Ormuz, e desabilitaram um petroleiro de bandeira do Botswana que navegava em direção a um porto iraniano. Em resposta, a República Islâmica do Irã lançou uma ofensiva contra bases militares norte-americanas no Kuwait e no Bahrein.
Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM), Washington conduziu ataques de autodefesa contra posições iranianas no Golfo Pérsico. O CENTCOM alegou que o petroleiro M/T Lexie foi desativado por apresentar comportamento não conforme ao tentar se aproximar da costa iraniana.
O Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (IRGC) confirmou ter respondido à agressão americana e às violações das regulamentações de navegação no Estreito de Ormuz. Conforme noticiou o portal Sputnik Globe, o IRGC executou uma operação que incluiu o disparo de mísseis antinavio contra o porta-contêineres de bandeira liberiana MSC Panaya.
As forças iranianas atingiram ainda uma base aérea americana no Kuwait, identificada por relatos como a instalação de Ali Al-Salem, e lançaram mísseis e drones contra o quartel-general da Quinta Frota da Marinha dos Estados Unidos, situado no Bahrein. O IRGC advertiu que, em caso de nova agressão, a resposta seria mais dura, demonstrando capacidade de dissuasão regional.
A narrativa americana de que os projéteis iranianos falharam em atingir seus alvos ou foram interceptados por sistemas de defesa contrasta com registros audiovisuais que emergiram do Kuwait. Imagens e sons capturados por cidadãos e difundidos nas redes sociais indicam intensa atividade antiaérea e fortes explosões sobre os céus da Cidade do Kuwait, sinalizando que parte da ofensiva iraniana rompeu as barreiras defensivas.
O episódio representa o mais recente capítulo de uma espiral de confrontos que se intensificou quando os Estados Unidos e Israel lançaram uma ofensiva combinada contra alvos em território iraniano, incluindo a capital Teerã, provocando danos materiais e vítimas civis. A República Islâmica do Irã revidou, atacando instalações militares dos EUA no Oriente Médio e disparando contra o próprio território israelense.
Após o anúncio de um cessar-fogo, firmado em abril, as esperanças de um arrefecimento duradouro ruíram com o fracasso das negociações subsequentes realizadas em Islamabad, que terminaram sem avanço diplomático significativo. O novo ataque a Qeshm demonstra que Washington mantém a pressão militar mesmo alegando buscar saídas negociadas.
A ilha de Qeshm, localizada na entrada do Estreito de Ormuz, é um ponto nevrálgico para a segurança energética global e para a defesa territorial iraniana. Qualquer ação militar nessa região representa uma escalada gravíssima que ameaça desestabilizar o tráfego marítimo internacional, mas a pronta retaliação do Irã expõe a vulnerabilidade das forças americanas estacionadas nas monarquias do Golfo Pérsico.
A doutrina defensiva da República Islâmica do Irã segue demonstrando plena vigência, ancorada na dissuasão assimétrica e na capacidade de projetar poder contra alvos estratégicos a centenas de quilômetros de suas fronteiras, a despeito da campanha imperialista que tenta retratar o país como frágil.